Todos os dias, sementes atravessam estradas de terra, galpões de beneficiamento, estufas de viveiro e chegam ao chão onde um dia já houve floresta. Em cada uma delas mora a possibilidade de reverter a degradação ambiental do Vale do Rio Doce — e esse trabalho começa com quem vive no campo.
No Instituto Terra, a coleta de sementes nativas é uma ação essencial para o sucesso da restauração ecossistêmica. É por meio dela que centenas de espécies da Mata Atlântica são preservadas, multiplicadas e reintroduzidas em áreas degradadas. Mas isso só é possível graças à parceria com os produtores rurais da região, que abrem suas propriedades para receber os mobilizadores do programa Terra Doce e ajudam a encontrar as espécies certas, na época certa.
Atualmente, a coleta é feita em um raio de até 200 km da RPPN do Instituto, envolvendo propriedades de 14 municípios do médio Rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo. Cada estação do ano traz consigo um novo ciclo de sementes, e a equipe percorre diariamente diferentes fragmentos de floresta para garantir a diversidade genética das mudas produzidas no viveiro.
Depois da coleta, as sementes passam por beneficiamento e são catalogadas em laboratório. O cuidado segue no viveiro, onde cada uma é acompanhada até se tornar uma muda saudável e pronta para ir ao campo. Essas mudas são utilizadas em ações de reflorestamento que, hoje, já somam mais de 2 mil hectares em áreas dentro e fora do Instituto Terra.
A cadeia da restauração se sustenta porque envolve quem vive no território. A coleta de sementes conecta conservação ambiental com geração de renda, engajamento comunitário e fortalecimento de redes de troca de saberes. Para o produtor rural, é uma chance de contribuir com a proteção da biodiversidade e, ao mesmo tempo, fazer parte de uma transformação concreta do seu entorno.
Entre as espécies coletadas, estão árvores emblemáticas da Mata Atlântica como a Sapucaia, o Cajazinho, o Ingá-branco, a Paineira-rosa, a Bapeba e muitas outras. Cada uma com seu tempo, sua forma e sua função no reequilíbrio dos ecossistemas.
O Instituto Terra segue convidando novos parceiros para integrar essa rede. Quanto mais propriedades envolvidas, mais forte será a floresta que queremos reconstruir. Se você é produtor rural e quer participar, entre em contato com a equipe mobilizadora do programa Terra Doce. Sua terra pode ser o começo de uma nova floresta.
Esse trabalho é realizado com o apoio do projeto Semente, uma iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais, por meio do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CAOMA), em parceria com o Centro Mineiro de Alianças Intersetoriais (CeMAIS). O projeto tem como objetivo garantir a transparência, a efetividade e o fortalecimento de ações socioambientais relevantes, conectando instituições do terceiro setor a promotores de justiça em todo o estado. Por meio dele, a coleta de sementes promovida pelo Instituto Terra ganha escala, respaldo jurídico e visibilidade como instrumento de transformação ambiental e social.