O Terra Jovens é um programa do Instituto Terra criado para engajar e formar jovens de 16 a 29 anos da Bacia do Rio Doce em temas socioambientais contemporâneos, cidadania e produção audiovisual. Por meio de oficinas temáticas e técnicas, o projeto combina educação crítica, prática criativa e fortalecimento comunitário. Mais do que capacitar, o objetivo é dar voz e protagonismo às novas gerações, para que elas mesmas contem as histórias de sua região e ajudem a transformá-la.
Uma das maiores riquezas dessa iniciativa está justamente na diversidade do grupo que forma a cada edição. A turma de 2024 reuniu jovens indígenas, LGBT+, negros, moradores da zona rural e estudantes das áreas urbanas, todos trazendo bagagens e perspectivas únicas sobre o que é viver na Bacia do Rio Doce. Cada participante chegou carregando sua própria história, suas dores e sua luta por espaço. E foi exatamente essa pluralidade que fortaleceu as discussões e deu peso às narrativas criadas durante o curso.
As histórias que surgiram ali não são neutras: elas falam de invisibilidade, preconceito, orgulho de origem e resistência. Jovens indígenas resgataram saberes tradicionais ao abordar a relação entre o povo e a terra. Participantes LGBT+ encontraram nas câmeras uma forma de denunciar discriminações ainda comuns em suas comunidades. E moradores da zona rural compartilharam a rotina dura e, muitas vezes, invisível de quem vive longe dos centros urbanos. Juntos, transformaram essas vivências em roteiros e vídeos que emocionaram o público na exibição final e abriram novos diálogos na comunidade.
“A minha indignação é o preconceito com sexualidade, com as raças. Preconceito é algo bem negativo. O que mais me chamou a atenção neste projeto foi a falta desses projetos aqui na região. Temas assim são importantíssimos e têm que ser debatidos com diversas opiniões”, contou Victória Pimenta, participante.
O Instituto Terra acredita que restaurar o Vale do Rio Doce vai muito além de plantar árvores: é também reconstruir laços, valorizar histórias e abrir espaço para quem nunca teve voz. Essa geração diversa já entendeu isso — e está escrevendo, com as próprias mãos, um futuro mais justo e inclusivo para todos.