Entre homenagens e transformações concretas, a história de Sebastião Salgado continua germinando na natureza e nas pessoas
No dia 23 de maio de 2025, nos despedimos de Sebastião Salgado, fotógrafo e ambientalista cuja trajetória deixou uma marca profunda na história da restauração ecossistêmica no Brasil e no mundo.
Ao lado de Lélia Deluiz Wanick Salgado, Sebastião se permitiu sonhar e fundou o Instituto Terra, onde transformou uma área degradada em uma floresta que hoje pulsa vida. Desde então, mais de 3,3 milhões de árvores foram plantadas, contribuindo diretamente para a revitalização da bacia do Rio Doce. O espaço se tornou um dos mais reconhecidos projetos de recuperação da Mata Atlântica, demonstrando que regenerar o meio ambiente também é um compromisso com o futuro da humanidade.
Mais do que um dos maiores fotógrafos de todos os tempos, foi um visionário que uniu sensibilidade, ciência e ação. Seu trabalho revelou as complexidades do mundo, inspirou milhares de pessoas e, ao mesmo tempo, apontou caminhos possíveis para a mudança. Para ele, restaurar a terra era também restaurar a esperança — uma ideia que atravessa sua obra e sua atuação.
Ao longo do ano, especialmente nos meses de maio e agosto, sua história foi amplamente celebrada por meio de homenagens no Brasil e no exterior. Nas redes sociais e em canais de comunicação, pessoas, instituições e parceiros manifestaram reconhecimento e solidariedade, evidenciando a dimensão de seu impacto.
No Instituto Terra, colaboradores e comunidades prestaram tributos que reforçaram a força de sua trajetória e de seu propósito. Em uma cerimônia emocionante, cerca de 480 pessoas, entre amigos e familiares, se reuniram para depositar suas cinzas nas raízes de uma muda de peroba, uma das espécies favoritas de Sebastião.
Além de homenagens institucionais, seu legado reverberou pelas ruas e por outros espaços da cultura e do esporte, refletindo o alcance de seu caminho e sua conexão com diferentes públicos.
Torcedor do América desde criança, Sebastião foi lembrado pelo time, que entrou em campo com uma camisa especial contendo um patch com seu nome e o logo do Instituto Terra. Nesse mesmo dia, Dedi, colaborador da instituição, participou do momento ao lado dos atletas. Hoje, parte dos uniformes se encontra na ONG como forma de reconhecimento à sua contribuição.
Sebastião também deixou sua marca no samba e no Carnaval de Vitória (ES), sendo tema do enredo da escola Independente de Boa Vista, representante de Cariacica, que acabou se consagrando como a campeã da disputa em 2025.
Assim, sua mensagem foi — e continua indo — além das lentes fotográficas e das cercas da floresta. Seu legado permanece vivo em cada área restaurada, em cada nascente recuperada e em cada pessoa impactada por suas imagens e pelo Instituto Terra. E alcança comunidades locais, estudantes, jovens e educadores que, ao longo dos anos, participaram das ações da instituição e passaram a atuar como agentes de transformação em seus territórios.
Essa é a herança que segue guiando nossa missão: continuar semeando vida, conhecimento e esperança — para que as próximas gerações encontrem um mundo mais regenerado do que aquele que herdamos.
Tião, presente!