Passiflora salgadoi, espécie recém-descoberta em Minas Gerais, carrega nome do fundador do Instituto Terra
Uma nova espécie de maracujá encontrada na região de Resplendor, em Minas Gerais, foi oficialmente descrita na literatura científica internacional. A Passiflora salgadoi carrega no próprio nome uma homenagem ao fotógrafo, ambientalista e fundador do Instituto Terra, Sebastião Salgado.
Publicada na revista Phytotaxa em 2025, a descoberta e descrição da espécie foram realizadas pelos pesquisadores Jay R. Kuethe, Nilton T.V. Junqueira e Fernando Correa Campos Neto, especialistas envolvidos em estudos taxonômicos — ciência que classifica e organiza seres vivos, objetos ou palavras em categorias hierárquicas.
Um achado no coração do vale do Rio Doce
A nova espécie foi encontrada em 2019, durante uma visita de campo ao Parque Estadual de Sete Salões, na região de Resplendor — o mesmo território onde Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado deram início ao projeto de restauração que viria a se tornar o Instituto Terra.
Entre fragmentos de floresta estacional e áreas de mata densa, Fernando identificou uma Passiflora que não correspondia a nenhuma das espécies conhecidas. Anos de análises detalhadas — incluindo comparações com coleções científicas, revisão de herbários nacionais e internacionais e estudos morfológicos — levaram à comprovação de que se tratava de uma nova variedade de planta.
A P. salgadoi é particularmente marcante por suas flores completamente brancas, estípulas extremamente estreitas e um conjunto de características únicas dentro de sua seção taxonômica. Considerada rara, a espécie é, até o momento, conhecida apenas na região de Sete Salões e foi classificada como criticamente ameaçada.
Um tributo ao reflorestamento, à ciência e à vida
Para Fernando, a escolha do nome tem raízes afetivas. Ele conta que foi por meio da fotografia, inspirada pela obra de Sebastião, que passou a se aproximar cada vez mais das borboletas e das plantas hospedeiras que sustentam seus ciclos de vida.
“Sou fã do trabalho do Sebastião Salgado. Foi a fotografia que me levou às borboletas que, posteriormente, me levaram às Passifloras. Homenageá-lo com uma espécie descoberta justamente em Resplendor, tão perto do Instituto Terra, foi um gesto natural e necessário”, afirma o pesquisador.
Ao propor o nome, além de honrar o homem que dedicou anos de sua vida à regeneração de um território devastado e à defesa da natureza como patrimônio da humanidade, ele também estende o tributo à Lélia e a toda equipe do Instituto Terra. “É uma forma de agradecer por tudo que fizeram e ainda estão fazendo pela conservação da Mata Atlântica e pela inspiração que oferecem a todos nós que trabalhamos com biodiversidade”, complementa Fernando.
A escolha ainda carrega um simbolismo natural profundo: as Passifloras são plantas essenciais para várias espécies de borboletas. A presença desses insetos é um dos primeiros indicadores de que um ecossistema restaurado está voltando a pulsar. Assim, a homenagem costura, de forma sensível, o trabalho fotográfico, a restauração ecológica e a delicada teia de interdependências da Mata Atlântica.

A natureza responde ao cuidado
A descoberta da Passiflora salgadoi é um lembrete poderoso: quando uma paisagem volta a respirar, novos encontros se tornam possíveis. Em um território historicamente marcado pela degradação, o renascimento de espécies — algumas ainda desconhecidas — revela a força dos ecossistemas restaurados e reforça a importância da conservação de longo prazo.
Se você acredita nesse movimento e quer ajudar a manter vivo o legado de Sebastião e Lélia, apoie o Instituto Terra. Sua doação fortalece nossos projetos e ações de conservação que transformam paisagens e vidas. Faça parte dessa história e nos ajude a continuar semeando o futuro!