A educação ambiental ganha outro significado quando acontece com os pés na terra, as mãos no barro e o olhar atento de uma criança. É isso que move o Terrinhas, programa do Instituto Terra que, desde 2005, já impactou milhares de estudantes e educadores da Bacia do Rio Doce. Em 2024, o programa foi reconhecido pela UNESCO como uma referência em educação ambiental — e não é por acaso.
Voltado para crianças entre 10 e 12 anos, o Terrinhas atua diretamente nas escolas públicas e privadas de cinco municípios da bacia. Ao longo do ano letivo, cada turma participa de nove vivências presenciais no Instituto Terra. São dias inteiros de atividades lúdicas, trilhas educativas, oficinas de campo e rodas de conversa sobre o cuidado com as águas, as florestas e a vida.
Mais do que um programa escolar, o Terrinhas se tornou um espaço de pertencimento e descoberta para os estudantes, os professores e, indiretamente, para suas famílias. Quando uma criança volta para casa falando sobre uma nascente, uma barraginha ou uma árvore nativa, é a educação que atravessa muros e transforma lares.
Educação que se espalha
Cada módulo do Terrinhas é pensado para provocar não só o aprendizado, mas a multiplicação do conhecimento. A cada visita, as crianças recebem conteúdos exclusivos e são incentivadas a replicar o que aprenderam dentro de suas escolas — seja com murais, campanhas, pequenas ações coletivas ou mesmo conversas no recreio.
Em 2024, o programa ganhou uma nova dimensão com o lançamento da primeira temporada do TerrinhasCast, um podcast com episódios gravados pelos próprios estudantes. Em formato leve e participativo, os episódios mostram como as crianças enxergam temas como aquecimento global, escola, comunidade e meio ambiente — e surpreendem pela lucidez, criatividade e consciência.
Impactos que falam por si
Em 2024, o Terrinhas alcançou resultados expressivos:
- 550 estudantes do 5º ao 7º ano participaram das vivências;
- 52 professores e 34 gestores escolares foram envolvidos diretamente;
- 18 escolas fizeram parte da iniciativa em cinco municípios de MG e ES;
- Estimamos que mais de 3.800 pessoas foram impactadas indiretamente por meio das crianças e educadores multiplicadores.
Mas os números são só uma parte da história. Em cada escola, há exemplos de transformação concreta: campanhas de coleta de óleo usado, proteção de nascentes em propriedades rurais, projetos de reaproveitamento de resíduos e até livros escritos por alunos inspirados pelo programa.
E o que vem pela frente?
Para 2025, o Instituto Terra quer ir além. Entre os próximos passos estão:
- Ampliar o número de crianças e escolas atendidas;
- Reforçar a capacitação dos educadores como agentes de mudança em suas comunidades escolares;
- Produzir novas temporadas do TerrinhasCast, ampliando a visibilidade do programa e a escuta ativa das infâncias.
O que o Terrinhas mostra, ano após ano, é que a educação ambiental não começa com grandes discursos, mas com pequenas vivências que tocam — e transformam — quem participa.
E são essas sementes, plantadas em cada encontro, que seguem germinando nas escolas, nas casas, nos rios e no futuro.