Programa do Instituto Terra fortalece comunidades na bacia do Rio Doce, incluindo o povo Krenak
Cuidar da terra é, também, cuidar das pessoas — especialmente daquelas que vivem dela. É a partir dessa conexão que o Instituto Terra vem ampliando sua atuação junto às comunidades da bacia do Rio Doce, promovendo soluções que integram regeneração ambiental, desenvolvimento rural sustentável, geração de renda e qualidade de vida.
Nesse cenário, após quase dois anos de sua criação, o programa Terra Doce ganha ainda mais força em 2025, expandindo seu alcance e aprofundando seu impacto nos territórios onde atua.
Regeneração e desenvolvimento na bacia do Rio Doce
O Terra Doce nasceu com o propósito de ir além da regeneração de áreas degradadas. Sua atuação busca trazer a biodiversidade de volta ao mesmo tempo em que fortalece a soberania alimentar das comunidades, por meio de cultivos diversos e adaptados ao clima e à cultura local.
Ao combinar o plantio de espécies nativas e agrícolas em uma mesma área, os SAFs reproduzem a dinâmica de um ecossistema florestal, melhorando as condições hídricas e a qualidade do solo. Ao mesmo tempo, promovem a geração de renda e contribuem para a segurança alimentar das comunidades.
Como parte dessa estratégia, entre as 1.484 famílias beneficiadas, o projeto implantou um sistema agroflorestal (SAF) no território do povo Krenak, localizado em Resplendor (MG), reforçando a integração entre a ciência e os saberes tradicionais.
Agrofloresta e o fortalecimento do povo Krenak
Habitante originário da região, o povo Krenak sofreu grandes impactos devido a conflitos e guerras em meados do século XX. Quase cem anos depois, em 1998, cerca de 4 mil hectares foram devolvidos à comunidade que, diante da degradação do território, passou a buscar a recuperação da floresta, da fauna e das nascentes.
Diante dessa realidade, em maio de 2025, em parceria com o Instituto Terra, eles implementaram uma agrofloresta de 1,4 ha, com o plantio de mais de 900 mudas nativas, incluindo aroeira, pimenteira, cajueiro, imbirema, abóbora, melancia e jenipapo — espécie tradicionalmente utilizada para a produção de tinta de pintura corporal.
Embora o território esteja inserido em uma região com forte presença da pecuária de leite e de corte, o SAF foi pensado como uma alternativa para diversificar e ampliar a renda do povo Krenak, com o cultivo de alimentos como café e cacau para comercialização local.
Segundo Aline de Souza Fanticelle, técnica ambiental do Instituto Terra, as espécies foram escolhidas para contribuir com a geração de renda sem deixar de lado os costumes indígenas. “A banana, por exemplo, foi introduzida para dar suporte ao cultivo do cacau. Também incluímos mandioca e urucum, que já fazem parte das práticas tradicionais da comunidade, além da moringa, que tem alta produção de biomassa e pode ser utilizada na alimentação animal, visto que eles criam gado”, explica.
Hoje, aproximadamente 700 pessoas vivem na área, que está em processo de recuperação e, aos poucos, passa a cumprir um papel fundamental na promoção da segurança alimentar das famílias da região.
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