Uma câmera na mão e um olhar crítico sobre a própria realidade. Parece pouco, mas foi exatamente isso que transformou a forma como jovens da Bacia do Rio Doce enxergam sua região — e se enxergam nela. Os vídeos produzidos por participantes do Terra Jovens, iniciativa do Instituto Terra, foram mais do que um trabalho final de oficina: eles viraram pequenas peças de memória coletiva, denúncia, esperança e afeto.
Entre cenas do Rio Doce e relatos sobre desastres ambientais, passando por histórias íntimas sobre consumo, preconceito e saúde mental, os filmes revelam uma geração capaz de elaborar narrativas potentes a partir daquilo que vive no dia a dia. Para esses jovens, o audiovisual se tornou uma ponte entre experiência pessoal e transformação social.
“Foi fascinante perceber que as minhas ideias podiam tocar outras pessoas. Contar a história do meu lugar mudou a forma como eu vejo minha cidade — e como quero que os outros a vejam também”, conta Joelma Gomes, autora de um dos vídeos.
O vídeo como agente de mudança
Os 23 curtas produzidos revelam muito mais que talento técnico. Eles são reflexo de um território cheio de contradições, mas também de gente criativa e resiliente. Os temas escolhidos pelos jovens falam de suas indignações e sonhos:
- Impactos ambientais na bacia do Rio Doce
- Memórias e afetos do território
- Fake news e desinformação nas redes
- A importância da água e das nascentes
- Consumo consciente e desigualdades sociais
Ao longo do processo, os participantes aprenderam técnicas básicas de roteiro, enquadramento, gravação, captação de som e edição, desmistificando a ideia de que só é possível fazer audiovisual com equipamentos caros e inacessíveis. Mais importante ainda: aprenderam que sua voz tem valor.
“A gente sempre assiste histórias dos outros. Dessa vez a história era nossa. Eu nunca me vi como protagonista, até ver meu vídeo passando pra todo mundo”, diz Thiago Amorim, que registrou as memórias do Rio Doce e do Manhuaçu.
Essa nova safra de histórias agora circula não só nas redes sociais do projeto, mas também entre escolas, famílias e comunidades locais, despertando conversas e reflexões que vão além da tela.
No Instituto Terra, a mensagem é clara: restauração ecológica também se faz com restauração de narrativas — e ninguém melhor que a própria juventude para assumir a direção.