Calor extremo, secas prolongadas e chuvas intensas colocam em risco a biodiversidade de um dos biomas mais importantes do Brasil
O aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas já não são apenas projeções climáticas, mas sim uma realidade que afeta diretamente o funcionamento dos ecossistemas. Na Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, esses impactos têm alterado profundamente o ciclo da vida na floresta.
O calor extremo interfere nos processos naturais de crescimento, floração e regeneração das plantas. Ao mesmo tempo, secas prolongadas empobrecem o solo, reduzem a disponibilidade de água e dificultam o estabelecimento de novas espécies. Em períodos mais úmidos, as chuvas intensas provocam erosão do solo, perda de nutrientes e instabilidade das encostas, afetando toda a dinâmica florestal.
As consequências vão além da vegetação. Muitas espécies da fauna perdem seu habitat, enfrentam escassez de alimento e veem aumentar o risco de extinção. A floresta, que antes funcionava como um sistema equilibrado, passa a operar sob estresse constante.
Estudos recentes, conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV), revelam a gravidade do cenário: sob condições de seca prolongada, a riqueza de espécies pode cair até 70%. A pesquisa também identificou reduções significativas em atributos ecológicos essenciais, como tamanho das folhas, produção de raízes e massa seca total das plantas.
Mesmo entre aquelas que conseguem sobreviver nessas condições, observa-se baixa capacidade de adaptação, com aumento da mortalidade e redução da diversidade nos grupos dominantes. O calor excessivo, somado à escassez de água por longos períodos, enfraquece as florestas estacionais, dificultando a germinação das sementes, a sobrevivência das árvores e a renovação natural da vegetação.
Ainda assim, apesar de hoje restarem menos de 20% da Mata Atlântica em fragmentos isolados, esses remanescentes ainda abrigam uma biodiversidade extraordinária e oferecem uma oportunidade concreta de enfrentamento da crise climática.
Por isso, restaurar a floresta é uma das estratégias mais eficazes para conter o avanço desses impactos, pois a própria natureza reúne a tecnologia mais avançada para regular a temperatura, armazenar água, proteger o solo e criar um escudo de resiliência ao clima.
É nesse contexto que a restauração ecossistêmica se consolida como uma grande aliada na reversão das atuais condições ambientais. Ao recuperar áreas degradadas, fortalecemos os ecossistemas, protegemos espécies e garantimos benefícios que se estendem a toda a sociedade.
Restauração que transforma o clima
No Instituto Terra, o compromisso com a recuperação e a conservação das florestas, bem como o uso correto dos recursos naturais, faz parte da nossa missão. Ao longo de quase 30 anos de trajetória, por meio do programa Refloresta, já plantamos mais de 3,3 milhões de árvores nativas, contribuindo diretamente para a restauração da Mata Atlântica e para a regulação do microclima regional.
Hoje, a Fazenda Bulcão é reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), um símbolo de que a restauração é capaz de devolver vida, biodiversidade e proteção legal a territórios antes degradados.
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