Dia Nacional de Conscientização sobre Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março, nos convida a refletir e agir
Secas intensas, eventos extremos e perda de biodiversidade já fazem parte da realidade de diferentes regiões do planeta. As mudanças climáticas deixaram de ser apenas um alerta científico sobre o futuro e passaram a impactar diretamente ecossistemas, territórios e pessoas.
Celebrado em 16 de março, o Dia Nacional de Conscientização sobre Mudanças Climáticas convida a sociedade a refletir sobre essas transformações e a urgência de construir caminhos para enfrentá-las.
Desde a Revolução Industrial, no século XIX, a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e as alterações no uso da terra – entre outras ações humanas – ampliaram significativamente a emissão de gases de efeito estufa (GEE), modificando o equilíbrio climático do planeta.
Com o passar dos anos, os efeitos se tornaram cada vez mais visíveis, e dados recentes ajudam a dimensionar a escala dessas transformações.
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o equivalente a 18 campos de futebol de florestas tropicais primárias foi perdido por minuto em 2024, o que representa 6,7 milhões de hectares. Outro dado relevante mostra que, nos últimos 20 anos, a quantidade de água doce disponível por pessoa diminuiu cerca de 20%, enquanto o nível médio global do mar já subiu aproximadamente 23 centímetros desde 1880, impulsionado pelo derretimento de geleiras e calotas polares.
Além de afetar ecossistemas, esse cenário também evidencia desigualdades. Populações em situação de maior vulnerabilidade costumam ser as mais impactadas por eventos extremos, escassez de água e perda de recursos naturais.
De acordo com a ONU, os países africanos são responsáveis por menos de 4% das emissões de GEE, porém, os impactos climáticos são sentidos com mais intensidade no continente, agravando cenários de fome, insegurança e deslocamento.
O território também revela as mudanças
As transformações no clima também se manifestam nos territórios, indo além do âmbito global e sendo analisadas e percebidas no cenário regional também.
Em Aimorés (MG), onde está localizado o Instituto Terra, mudanças no regime de chuvas têm sido observadas ao longo das últimas décadas. Dados compartilhados por Pieter-Jan van der Veld, em um artigo sobre as mudanças climáticas na Fazenda Bulcão, mostram que a média anual de precipitação caiu de cerca de 1.200 mm no início dos anos 2000 para aproximadamente 700 mm vinte anos depois.
Períodos de estiagem mais prolongados, solos mais secos e nascentes pressionadas passaram a fazer parte da realidade da região, evidenciando como as alterações no clima influenciam diretamente a dinâmica ambiental e social dos territórios.
Restaurar florestas também é enfrentar a crise climática
Diante desse cenário, iniciativas de restauração mostram que recuperar ecossistemas também pode fortalecer a resiliência das paisagens frente às mudanças climáticas.
Florestas restauradas ajudam a regular o microclima, favorecem a infiltração da água no solo, controlam a erosão, protegem nascentes e ampliam os habitats disponíveis para a fauna. Além disso, desempenham um papel fundamental na captura de carbono da atmosfera.
Para além de recuperar áreas degradadas, isso também é fortalecer territórios, comunidades e o futuro. Neste Dia Nacional de Conscientização sobre Mudanças Climáticas, reconhecer a urgência do problema é um primeiro passo. O próximo é agir.
Apoie a restauração
Regenerar a terra também é regenerar água, biodiversidade e oportunidades para as comunidades. Acesse o link, faça uma doação e ajude o Instituto Terra a restaurar a Mata Atlântica e semear o futuro.