Muito mais do que uma única floresta, esse bioma exuberante é lar de uma diversidade de subdomínios fundamentais para o equilíbrio do meio ambiente
Quando falamos em Mata Atlântica, a imagem que, provavelmente, vem à cabeça da maioria das pessoas é a de uma floresta densa, com árvores imponentes e muito verde por todo lado – mais próxima da Floresta Amazônica que conhecemos.
Mas você sabia que, muito além de uma formação florestal única, a Mata Atlântica é um verdadeiro mosaico de vida composto por diferentes subdomínios?
Esse bioma exuberante abriga uma ampla variedade de ecossistemas que, cada um à sua maneira e com suas singularidades, são fundamentais para o equilíbrio ambiental.
Peças que formam esse grande mosaico
A Mata Atlântica é composta por fitofisionomias que variam conforme o relevo, a altitude e o clima. Nesse contexto, ela é dividida da seguinte forma:

Floresta Ombrófila Densa: é a formação mais associada à imagem clássica da Mata Atlântica, com árvores imponentes, clima úmido e vegetação verde durante o ano todo.
Crédito: Lucas Barcelos
Floresta Ombrófila Mista: também conhecida como Mata de Araucárias, essa formação é famosa pela presença marcante do Pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia) e predomina em regiões mais frias, especialmente no Sul do Brasil.
Crédito: Zig Koch


Floresta Semidecídua Sazonal: encontrada em regiões como Minas Gerais e São Paulo, caracteriza-se pela perda parcial das folhas (entre 20% e 50%) durante uma época específica do ano, quando o clima está mais seco – geralmente entre maio e outubro.
Crédito: José Diniz
Restinga: é um ecossistema costeiro e pioneiro, com vegetação adaptada a solos arenosos e salinos, formando uma zona de transição entre o mar e a floresta. Funciona como refúgio essencial para diversas espécies.
Crédito: Ricardo Junior


Mangue ou Manguezal: um dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade. Os manguezais são verdadeiros berçários da vida marinha e desempenham um papel vital na proteção das zonas costeiras, na subsistência de comunidades locais e na mitigação das mudanças climáticas.
Crédito: Alberto Alerigi
A força e a extensão da Mata Atlântica
Juntas, essas formações compõem o que chamamos de Mata Atlântica. Um bioma presente em 17 estados brasileiros, estendendo-se por grande parte da costa, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e que é o lar de cerca de 70% da população do país.
Estima-se que existam cerca de 20 mil espécies vegetais na Mata Atlântica – o que representa cerca de 35% das espécies existentes no Brasil –, incluindo algumas endêmicas e ameaçadas de extinção.
Em relação à fauna, o bioma abriga, aproximadamente, 850 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos, 350 de peixes e incontáveis insetos.
Historicamente, a Mata Atlântica já chegou a ocupar uma área de 1,3 milhão de km², o que correspondia a 15% do território brasileiro. No entanto, devido à intensa ocupação e às atividades humanas ao longo dos séculos, hoje resta apenas 12,5% da cobertura original.
Preservar e restaurar para semear o futuro
A boa notícia é que existem diversos projetos dedicados à recuperação da Mata Atlântica. Desde a criação de marcos legais específicos, como a Lei da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006), foram estabelecidas diretrizes que contribuem para a preservação da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais e a restauração de áreas degradadas.
Entre as milhares de instituições e organizações atuantes no Brasil, o Instituto Terra é uma delas. Há quase 30 anos, a instituição restaura a Mata Atlântica na bacia do Rio Doce, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Com mais de 3,3 milhões de árvores nativas plantadas na RPPN Fazenda Bulcão, a área voltou a abrigar mais de 235 espécies de animais, incluindo algumas ameaçadas de extinção.
Para os próximos anos, com a aquisição das fazendas Cantinho do Céu, Maria Bonita, Vai e Volta, e Sítio Constância, a ONG entra em uma nova etapa, e a sede do Instituto passa a somar 2.346,96 hectares. Essa expansão abriu caminho para a construção de um novo viveiro, com capacidade para produzir até 2 milhões de mudas nativas por ano, o que permitirá acelerar o plantio e ampliar os esforços de restauração em todo o território.
Nos apoie nessa causa!
Sabemos que o caminho ainda é longo, mas ele pode ser trilhado coletivamente. Junte-se a nós e apoie o Instituto Terra na reconstrução desse patrimônio natural que chamamos de Mata Atlântica.