Pesquisa liderada pela UENF, com colaboração do Instituto Terra, revela tecnologia que aumenta a sobrevivência de espécies nativas da Mata Atlântica
A restauração ecossistêmica é um trabalho de longa duração — e seus primeiros passos são decisivos. Nos viveiros e nos primeiros dias após o plantio, cada folha, centímetro de crescimento e grau de temperatura importam.
Foi olhando com atenção para esse momento crítico que uma equipe interdisciplinar, composta pelos pesquisadores Amanda Machado, Guilherme Rodrigues, Rosana Nani de Miranda, Diesily Neves, Larissa Barcellos, Silas Garonce, Moisés de Souza Marcelino, Newton Roda, Paulo Ricardo dos Santos, Cláudia Barros e Eliemar Campostrini, conduziu um estudo inovador sobre como proteger mudas nativas da Mata Atlântica do estresse causado pelo excesso de radiação solar.
Liderada pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), a pesquisa, publicada no periódico Trees (Springer Nature) em agosto de 2025, analisou o uso do filme de partículas de caulim processado (PKPF) como uma solução de baixo custo e alta eficiência para aumentar o desempenho fisiológico de duas espécies amplamente utilizadas na restauração: Cordia superba (babosa-branca) e Citharexylum myrianthum (tucaneiro).
O estudo buscou responder a uma dúvida central na restauração da Mata Atlântica: como garantir que mudas jovens, acostumadas ao sombreamento do viveiro, sobrevivam e prosperem quando passam a enfrentar o sol direto do campo aberto?
Os resultados foram animadores. As espécies tratadas com PKPF apresentaram temperatura foliar reduzida, maior eficiência fotossintética, melhor assimilação de CO₂ e menor dano à estrutura interna das folhas. Isso significa que, com o uso da tecnologia, as mudas sofrem menos durante a aclimatação e têm mais chances de se estabelecer com sucesso em áreas degradadas — uma etapa crítica para a restauração da Mata Atlântica.
A contribuição do Instituto Terra
O Instituto Terra teve um papel importante no desenvolvimento do estudo. As mudas utilizadas na pesquisa foram produzidas no viveiro da organização, reconhecido pela qualidade técnica e pela padronização dos protocolos de produção e aclimatação utilizados em projetos de restauração ecológica.
O gerente Operacional e de Meio Ambiente do Instituto Terra, Moisés de Souza Marcelino, contribuiu com amostras botânicas do viveiro e com a condução do desenho experimental — conectando prática de campo e rigor científico aplicados à restauração da Mata Atlântica.
Além disso, o Instituto Terra é citado como referência metodológica, destacando seus cuidados com germinação, sombreamento, adubação, irrigação e rustificação — práticas que garantem mudas vigorosas e confiáveis para investigações científicas dessa natureza.
Ao apoiar pesquisas como esta, o Instituto Terra reforça seu papel não apenas na restauração ambiental, mas também na produção de conhecimento técnico que aprimora práticas de campo, reduz perdas, otimiza custos e aumenta a eficiência da recuperação ambiental.
Por que essa pesquisa importa
Com o avanço das mudanças climáticas e o aumento da intensidade da radiação solar, tecnologias como o PKPF podem se tornar aliadas importantes para melhorar a sobrevivência das mudas, acelerar a recomposição da cobertura vegetal e fortalecer ecossistemas ameaçados. Cada planta que resiste ao primeiro verão tem mais chance de se transformar em árvore adulta — sombra, água, alimento e vida para todo o entorno.
De modo geral, a pesquisa mostra que a integração entre ciência, prática e parceiros comprometidos com a conservação é fundamental para avançar na restauração da Mata Atlântica e inspirar soluções inovadoras para outros biomas.
Confira o artigo na íntegra e saiba mais sobre o estudo.
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