Celebrado em 22 de março, o Dia Mundial da Água busca conscientizar sobre a importância desse recurso para a sobrevivência humana e de outros seres vivos
A água é um recurso indispensável à vida. Ela está presente em tudo: no que comemos, vestimos, produzimos e, claro, na nossa própria existência. Afinal, não é por acaso que o nosso corpo é composto por 60% a 70% desse elemento, sendo essencial para todas as funções vitais. Ainda assim, em muitas partes do planeta, o acesso a ela não é garantido.
Celebrado em 22 de março, o Dia Mundial da Água nos convida a olhar para além da sua aparente abundância e a refletir sobre os desafios que envolvem sua preservação, distribuição e uso consciente em um cenário de crescentes pressões ambientais.
Um direito que não é garantido
Em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que a água limpa e segura e o saneamento básico são direitos humanos. Ou seja, trata-se de um direito garantido por lei — embora, na prática, não seja bem isso o que acontece.
Apesar de cerca de 70% da superfície do planeta ser coberta de água, 97,5% dela é salgada e não pode ser utilizada para consumo humano. Para agravar a situação, de acordo com a ONU, 4,5 bilhões de pessoas não dispõem de saneamento seguro e cerca de 2,1 bilhões não têm acesso à água potável em casa.
Esse cenário afeta de forma mais intensa populações em situação de vulnerabilidade, que convivem com a falta de infraestrutura básica e com maiores riscos à saúde, evidenciando que a crise da água também é uma questão social.
E no Brasil, como estamos?
Nesse contexto, o Brasil tem um grande privilégio: é detentor de 12% a 13% das reservas de água doce no mundo, sendo uma potência hídrica. No entanto, sua distribuição é desigual, pois ainda existe uma parcela da população com acesso limitado a este recurso.
Na Mata Atlântica, um dos biomas mais degradados e ameaçados, mais de 100 milhões de brasileiros dependem das águas. Em muitos lugares, esse bem percorre grandes bacias e sustenta territórios inteiros, como acontece na região do Rio Doce, onde o Instituto Terra atua.
Hoje, restam cerca de 12% de sua cobertura original, o que torna ainda mais urgente a conservação e a restauração desse bioma estratégico para a segurança hídrica do país. Isso porque, antes de seguir seu caminho, a água tem sua origem e manutenção em um habitat também essencial: as florestas — e continua existindo por causa delas.
Florestas: guardiãs do equilíbrio hídrico
As florestas desempenham um papel importante: ajudam a regular o ciclo da água, influenciam as chuvas, protegem o solo e os rios, além de contribuírem para a qualidade e a disponibilidade hídrica.
Além disso, a vegetação contribui para a infiltração da água no solo, favorecendo a recarga de aquíferos e a manutenção de nascentes — etapas fundamentais para que esse recurso chegue, de forma contínua e equilibrada, aos rios e às populações.
Por isso, onde a floresta desaparece, esse ciclo se rompe. Desmatamento, poluição e ocupações irregulares impactam o aumento de riscos como enchentes, secas, erosão, escassez hídrica e até processos de desertificação. Ou seja, fragilizam a disponibilidade e a qualidade da água.
Diante disso, cuidar do meio ambiente é garantir que este recurso continue fluindo para o futuro.
Proteger as águas da Mata Atlântica é garantir rios vivos, biodiversidade e segurança hídrica para todos. O Instituto Terra faz isso na região da bacia do Rio Doce, onde cada área restaurada fortalece o ciclo da água desde a sua origem.
Cuidar das florestas é, portanto, cuidar da água — e, consequentemente, da vida.
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