Desmatamento e degradação ambiental provocam perda de biodiversidade e fragmentação de habitats, favorecendo o surgimento ou reemergência de doenças
Uma a uma, as árvores vão caindo quando a motosserra passa. A paisagem ganha tons de preto, amarelo, laranja e vermelho enquanto o fogo se alastra e animais correm desesperados para fugir do que consome a floresta. Essas cenas de devastação não apenas destroem habitats e ameaçam a biodiversidade, mas também alteram o equilíbrio ecológico de vírus e bactérias que circulam na vida selvagem.
Para cientistas e epidemiologistas, as consequências do desmatamento são claras: o surgimento ou a reemergência de zoonoses — doenças infecciosas transmitidas naturalmente entre animais e seres humanos.
Quando a fauna é isolada em fragmentos de floresta ou perde completamente seu habitat, a dinâmica entre predadores e presas é alterada. Nesse cenário, espécies mais resilientes e adaptáveis à presença humana, como certos roedores, carrapatos e mosquitos vetores, tendem a se multiplicar rapidamente, aumentando o risco de transmissão de doenças.
O desequilíbrio invisível
Uma pesquisa realizada pela USP revela um dado alarmante: 75% das doenças infecciosas emergentes são zoonóticas ou transmitidas por vetores. Há ainda outro fator que contribui para esse cenário: o aumento das temperaturas. Quase 80% dos transmissores estudados se proliferam em climas mais quentes. Para o Brasil, a situação se torna ainda mais preocupante por se tratar de um país tropical e já impactado pelas mudanças climáticas.
Nos últimos anos, doenças infecciosas têm surgido com mais frequência e, junto delas, cresce também o medo da população. A pandemia de Covid-19, em 2020, evidenciou como crises sanitárias podem transformar rapidamente a vida em escala global. Desde então, notícias envolvendo casos de Mpox, hantavírus e Ebola continuam acendendo alertas em diferentes partes do mundo.
Todas elas — e muitas outras — têm origem ou transmissão associada a animais, e o desmatamento acelera esse processo. Com a fragmentação dos habitats, diversas espécies passam a buscar alimento e abrigo em áreas cada vez mais próximas das pessoas, tanto em regiões rurais quanto urbanas.
Além disso, há perda de biodiversidade, inclusive de grandes predadores naturais responsáveis pelo equilíbrio da cadeia alimentar. Dessa forma, populações intermediárias, muitas vezes amplificadoras de patógenos — microrganismos capazes de causar doenças —, tendem a aumentar.
A floresta como barreira natural
Diante desse cenário, a redução do desmatamento e o fortalecimento das ações de restauração ambiental se tornam ainda mais necessários. A floresta em pé não apenas contribui para amenizar as altas temperaturas e garantir abrigo adequado para a fauna, como também representa saúde e qualidade de vida para a humanidade.
Nesse sentido, programas como o Refloresta, iniciativa de restauração ecossistêmica do Instituto Terra, têm um papel fundamental. Desde 1998, mais de 3,6 milhões de árvores foram plantadas nas áreas da instituição, trazendo de volta mais de 235 espécies de animais, incluindo predadores de topo de cadeia, essenciais para o equilíbrio da floresta.
A presença da jaguatirica, por exemplo, é um indicador de que a teia alimentar voltou a se fortalecer, permitindo que esse felino se restabeleça no território. Hoje, existe um ambiente mais favorável para que a fauna encontre alimento, abrigo e condições adequadas para viver sem precisar migrar para áreas próximas às populações humanas.
Restaurar também é cuidar da vida
Quando a floresta desaparece, os impactos ultrapassam os limites ambientais e chegam à saúde, à economia e à vida cotidiana. Restaurar ecossistemas é também proteger o futuro das pessoas.
Ajude o Instituto Terra nessa missão! Acesse o site, faça uma doação e contribua para a restauração da Mata Atlântica.