Crianças do programa Terrinhas mostram, com sensibilidade e espontaneidade, como enxergam a floresta e o cuidado com a natureza
Animais soltos por toda parte, árvores altas e vistosas e uma água que corre limpa. Liberdade. Essa é a imagem que as crianças têm quando pensam e falam em floresta: um espaço sagrado onde diferentes espécies e processos convivem em harmonia.
No entanto, os pequenos também fazem um alerta: esse lugar não está garantido para sempre. Se a natureza pudesse falar, diria que as pessoas não estão cuidando dela com o carinho e a atenção que merece.
Essas foram algumas das respostas que os participantes do programa Terrinhas, iniciativa de educação ambiental do Instituto Terra voltada para crianças de 10 a 12 anos, deram ao time de comunicação ao serem questionados: “O que é a floresta para você?” e “Se você fosse a floresta, que recado daria para as pessoas?”.
O resultado são frases sinceras, perspicazes e divertidas, que mostram que os pequenos sabem muito bem do que estão falando.
O que as crianças enxergam na floresta
Apesar de parecer uma pergunta simples — e até meio óbvia —, cada criança tem sua própria visão sobre o que é uma floresta. Bernardo de P. Cardoso, da E. M. Augusto Suave – Santa Rita do Itueto, diz que ela é um ecossistema amplo: “É todo o conjunto de biodiversidade, ciclos climáticos, animais e espécies de plantas”. João Lucas F. Rodrigues, da mesma escola, e Milene dos S. Foerste, da E. M. Barra do Joazeiro – Itueta, acrescentam: é “o habitat dos animais” e “a união de diferentes espécies de árvores”.
Para outros Terrinhas, as respostas ganham um tom mais lúdico. “A floresta é liberdade para todos nós, onde as flores, as frutas e os animais ficam”, afirma Vitor Samuel da S. Rodrigues, da E. M. Vereador João Bravim Donadelli – Itueta. Helena Mirele L. de Oliveira, da mesma turma, conta que ela representa “ar puro”, enquanto Heitor C. de Oliveira, da E. M. Santa Angélica – Itueta, define: “É um lugar livre onde todos os animais podem morar em segurança, a não ser quando pessoas ruins fazem coisas ruins”.
Sábios e diretos — ainda que muitas vezes subestimados pela idade —, eles mostram que a floresta é um espaço vivo, formado por elementos que se combinam e se complementam. Quando está em equilíbrio, ela se transforma em lar, proteção e qualidade de vida para todos.
Quando a natureza pede ajuda
Para eles, a mensagem que a floresta transmite à humanidade também é clara: ela precisa de cuidado para continuar existindo e cumprindo seu papel. Milene e Helena são enfáticas. Na posição da floresta, dizem: “Se me poluir, irei morrer” e “Sou bonita e grande. Não jogue lixo em mim, senão eu morro”. Já Evelly C. de Almeida, da E. M. Augusto Suave – Santa Rita do Itueto, afirma: “Estou morrendo aos poucos”.
Reverter esse cenário exige atitudes diárias. Bernardo pede: “Não atrapalhe o ciclo estável do planeta. Para isso, é preciso não poluir, desmatar ou queimar a floresta”. Heitor e João Lucas reforçam que as pessoas deveriam parar de jogar lixo e poluentes no chão e nos rios, evitar o desperdício de água e energia e ajudar a cuidar das árvores.
Ao final, Vitor resume tudo de forma potente: “Aqui no Instituto Terra, tudo o que vemos é árvore de verdade, liberdade para todo mundo. Para ajudar lugares como esse, precisamos jogar água nas plantas”.
Mesmo quando simples, as respostas carregam sabedoria e sensibilidade. A humanidade complicou a situação do meio ambiente, mas os pequenos acreditam que ainda é possível semear o futuro com gestos cotidianos — basta observar o que a natureza está tentando dizer.
Eles lembram, todos os dias, que os adultos também já foram crianças, que nem tudo está perdido e que ainda existe beleza, cuidado e esperança onde muita gente já deixou de acreditar. Mas, para transformar o mundo, é preciso agir em conjunto.
Proteger a floresta também é proteger o futuro de quem ainda está aprendendo a sonhar com ela.