Curiosidades sobre espécies que ajudam o Instituto Terra no trabalho de restauração da bacia do Rio Doce
A restauração começa muito antes de uma árvore despontar na paisagem. Ela “nasce” na palma da mão, em sementes que carregam histórias, estratégias de vida e relações profundas com os animais e o próprio ecossistema.
No Instituto Terra, mais de 300 espécies nativas da Mata Atlântica são coletadas, produzidas e plantadas todos os anos. Entre elas, selecionamos curiosidades de cinco que chamam a atenção pela beleza e pelo papel vital na recomposição da biodiversidade.
Boleira (Joannesia princeps)

A boleira é daquelas árvores que impõem respeito: chega a 30 metros de altura, faz sombra generosa e alimenta a floresta com seus frutos. Seu apelido — ou como também é conhecida — cutieira, revela o segredo do seu sucesso: as cutias são especialistas em espalhar suas sementes. Elas comem algumas e enterram outras para “guardar” — mas quase sempre esquecem onde deixaram. O resultado? Novas árvores brotando por toda parte.
Embora os animais adorem seus frutos, a semente não deve ser consumida in natura por humanos, pois tem forte efeito purgativo. Por outro lado, já foi usada como medicamento e até substituiu o óleo de linhaça em pinturas.
Sapucaia (Lecythis pisonis)

Se existe árvore que une beleza e personalidade, é a sapucaia. Suas folhas novas chegam em tons rosados e seus frutos, conhecidos como cumbuca de macaco, parecem pequenas panelinhas com tampa. O nome “sapucaia” vem do tupi e significa “fruto que faz saltar o olho”, por causa do jeito como a casca se abre. E, claro, carrega também o famoso ditado: “macaco velho não mete a mão em cumbuca” — porque os animais jovens, curiosos demais, às vezes ficam presos ao tentar alcançar suas sementes que, aliás, são riquíssimas em proteínas, fibras e selênio.
Aroeira Pimenteira (Schinus terebinthifolia)

Delicada por fora e poderosa por dentro, a aroeira-pimenteira produz os característicos frutos rosados que muita gente conhece como pimenta-rosa. A árvore, que chega a 10 metros de altura, é usada na medicina tradicional há séculos — especialmente como o “remédio da mulher”, por seus efeitos anti-inflamatórios e aplicações ginecológicas. Na floresta, seus frutos adocicados atraem aves e pequenos mamíferos, que ajudam a espalhar a espécie.
Bapeba (Pouteria bapeba)

Com casca vinho e textura aveludada, os frutos maduros da bapeba são um convite à degustação — por animais e por pessoas. Sua polpa doce pode virar suco, doce ou até recheio de bolo. A árvore, que alcança até 15 metros de altura, libera um látex branco quando ferida e já foi usada na medicina popular para aliviar azia e dores no peito. Hoje, é uma espécie ameaçada de extinção, o que reforça a importância de protegê-la e incluí-la em projetos de restauração.
Paineira-rosa (Ceiba speciosa)

Entre as árvores mais emblemáticas da Mata Atlântica, a paineira-rosa chama atenção de longe: tronco robusto, em forma de “barriga”, coberto de espinhos, e flores que colorem a paisagem em tons de rosa. Quando seus frutos se abrem, liberam a famosa paina — uma fibra branca e sedosa que, no passado, já encheu travesseiros e almofadas. Em algumas culturas, a paineira é considerada protetora de gestantes e símbolo de pureza espiritual. Suas flores são usadas tradicionalmente contra tosse e asma, e um emplastro feito de sua resina já serviu para tratar queimaduras e hérnias.
Cada semente é uma história — e juntas, elas recriam a floresta
Essas cinco espécies são apenas uma pequena amostra da diversidade da Mata Atlântica. Mas revelam a força contida em cada semente e o quanto restaurar é também resgatar relações, culturas e modos de vida.
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Cada espécie que restauramos hoje é uma árvore que sustentará vidas amanhã.
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