Estudos e experiências no campo mostram que muitas crenças sobre a agricultura sustentável não correspondem à realidade
Recuperar o solo, proteger nascentes e produzir alimentos de forma eficiente e responsável são objetivos que caminham juntos na agricultura sustentável. Ainda assim, muitas pessoas acreditam que essas práticas são inviáveis, pouco produtivas ou restritas a nichos específicos. A realidade, porém, é bem diferente.
Nos últimos anos, a agricultura sustentável tem ganhado destaque, mas, com ela, surgem desconfianças e ideias equivocadas que persistem no imaginário popular. No entanto, avanços científicos e experiências bem-sucedidas em diferentes partes do mundo mostram que muitas dessas crenças não refletem a realidade e precisam ser desmistificadas.
Mitos que ainda cercam a agricultura sustentável
A seguir, apresentamos alguns dos mitos mais comuns sobre a agricultura sustentável e explicamos por que eles não refletem a realidade observada no campo.
- Agricultura sustentável não é tão produtiva quanto a convencional
Estudos realizados nas últimas décadas mostram que práticas como rotação de culturas, plantio direto e sistemas eficientes de irrigação podem aumentar significativamente a produtividade e a eficiência da produção agrícola, além de reduzir impactos ambientais.
Quando bem planejadas e adaptadas às características de cada propriedade, essas estratégias contribuem para a conservação dos recursos naturais e para a melhoria dos resultados produtivos.
- Apenas pequenos produtores podem desenvolver agricultura sustentável
Tanto pequenas quanto médias e grandes propriedades podem — e devem — adotar práticas sustentáveis. Sistemas como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), agricultura de precisão — que utiliza tecnologias digitais para monitorar e manejar a lavoura — e recuperação de áreas degradadas são viáveis e lucrativos também em larga escala.
A sustentabilidade não está relacionada ao tamanho da propriedade, mas à forma como os recursos são utilizados e manejados.
- A produção se torna insustentável com o uso de fertilizantes e defensivos
Um sistema sustentável pode utilizar esses insumos de forma responsável e tecnicamente orientada. O manejo integrado de pragas (MIP), por exemplo, combina métodos biológicos, culturais, físicos e químicos que ajudam a controlar pragas de forma eficiente e ambientalmente segura.
O problema está no uso excessivo ou sem critérios técnicos. Nesse caso, o segredo está no equilíbrio, na capacitação e na adoção das práticas mais adequadas para cada contexto.
- A agroecologia é o único método de agricultura sustentável
A agroecologia é uma importante abordagem da agricultura sustentável, mas está longe de ser a única. Existem diferentes caminhos para produzir de forma mais responsável, como a agricultura regenerativa, conservacionista e orgânica, entre outras.
Embora possuam características próprias, todas compartilham um objetivo em comum: produzir alimentos sem comprometer os recursos naturais necessários para as próximas gerações.
- É difícil e caro implementar agricultura sustentável
Apesar de exigir planejamento e, muitas vezes, uma mudança de paradigma, a implementação de sistemas sustentáveis pode reduzir custos no médio e longo prazo.
Práticas como adubação verde, controle biológico e conservação do solo ajudam a diminuir a dependência de insumos externos e a aumentar a eficiência produtiva. Além disso, os avanços tecnológicos e a crescente oferta de capacitação têm tornado a agricultura sustentável cada vez mais acessível.
Terra Doce: produção que preserva o meio ambiente na bacia do Rio Doce
Na bacia do rio Doce, o programa Terra Doce, iniciativa de desenvolvimento rural sustentável do Instituto Terra, é um exemplo concreto de que é possível unir conservação ambiental e produção agrícola.
Com ações que englobam restauração de nascentes, conservação de solo e água, instalação de biodigestores e implantação de sistemas sustentáveis de produção, o programa tem melhorado o uso da terra, fortalecido cadeias produtivas e inspirado novas formas de viver e produzir no território, promovendo uma verdadeira transformação cultural no campo.
Desde sua criação, em 2023, o Terra Doce já beneficiou mais de 1.700 famílias ao realizar projetos de condução de pastagens em 1.335 hectares, proteção de áreas de recarga hídrica em 1.877 hectares e implementação de sistemas agroflorestais (SAFs) e silvipastoris em 147,62 hectares. Além disso, o programa contribuiu para a recuperação de mais de 2.600 nascentes.
No início, foi necessário superar resistências e desmistificar ideias já consolidadas sobre a produção sustentável. Com o tempo, porém, muitos produtores passaram a perceber, na prática, os benefícios econômicos, produtivos e ambientais dessas estratégias. Os resultados alcançados têm fortalecido a confiança dos agricultores e ampliado o interesse por novos modelos de produção.
Falar sobre agricultura sustentável é falar sobre escolhas que impactam o território, fortalecem a economia local e contribuem para a conservação dos recursos naturais. Mais do que uma tendência, ela representa um caminho viável para produzir alimentos de qualidade, gerar renda para as famílias rurais e preservar a natureza para as futuras gerações.
Quer saber mais sobre o Terra Doce e conhecer histórias reais que estão transformando a bacia do rio Doce?