Com quase duas décadas de atuação no vale do rio Doce, o Instituto Terra já contribuiu para a recuperação de mais de 7,5 mil hectares de Mata Atlântica na região, a produção de mais de 4,5 milhões de mudas nativas e a proteção de mais de 1,2 mil nascentes, além da capacitação, por meio dos projetos de educação ambiental, de diferentes públicos, como agricultores, professores, estudantes, líderes comunitários, técnicos de empresas e de governos atuantes na questão ambiental, bem como a população das comunidades atendidas, de 176 municípios de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Desde a sua fundação, em 1998, a organização civil sem fins lucrativos conta com o patrocínio e apoio financeiro de empresas, governos, outras instituições do terceiro setor e doações individuais, tanto do Brasil como de outros países.

Os recursos obtidos mediante a participação em editais, apresentação de projetos ou recebimento de doações são aplicados nas ações propostas, com as informações tornadas públicas por meio dos comunicados de parcerias, podendo ser consultadas no site institucional, bem como nos demonstrativos financeiros, devidamente auditados por auditoria externa independente.

O Instituto Terra se posiciona diante dos patrocínios com total liberdade e em consonância com os seus princípios, conforme consta em seu Estatuto, sem subordinação a interesses conflitantes ou que arrisquem sua independência ou autonomia, sempre primando pela transparência.

Da mesma forma, o Instituto Terra tem como cláusulas de seu Estatuto não se envolver em questões e campanhas político-partidárias e também não permitir que sejam eleitos ou se mantenham nos Conselhos, Diretor e Fiscal, postulantes ou ocupantes de cargos eletivos na administração pública federal, estadual ou municipal.

O Instituto Terra acredita no respeito à lei e às instituições, no diálogo e no compartilhamento de experiências e técnicas, assim como na necessidade de atuação em conjunto dos vários setores da sociedade, incluindo as iniciativas públicas e privadas, sempre no sentido de tornar viável e possível o ideal de um modo de vida que respeite plenamente a natureza.

O desastre ambiental no Rio Doce decretou a morte ecológica de um rio federal com mais de 800 km e atingiu a vida de toda a população à sua volta, envolvendo conseqüências imediatas e prejuízos em longo prazo.

O Instituto Terra, que iniciou suas atividades refazendo a natureza de um vale profundamente degradado, vem dedicando toda a sua trajetória na revitalização da bacia do Rio Doce. Ao longo dos últimos 17 anos reuniu conhecimento técnico suficiente para entender que qualquer ação humana para recuperar a região precisaria ser coordenada e conectada a um projeto consistente de resgate e proteção das mais de 370 mil nascentes do Rio Doce, somado ao reflorestamento de áreas prioritárias como matas ciliares, áreas de proteção permanente e de Reserva Legal, com o objetivo de restabelecer água, restaurar algumas funções ecológicas do solo e contribuir para a melhoria do clima.

Este projeto, que já se constituía em uma iniciativa de grande alcance, agora se tornou emergencial, diante das conseqüências da catástrofe ambiental que atinge proporções alarmantes. Além das vidas ceifadas, do problema do abastecimento de água imediato da população e dos animais, bem como das providências para a reestruturação social e econômica da região, é preciso acelerar as medidas compensatórias para evitar que os danos se multipliquem, além do que já se mostra inevitável.

As ações somadas precisam envolver todos os aspectos da questão, como meio ambiente, saúde, trabalho e renda para várias categorias profissionais em atuação em um Vale que abriga mais de 4 milhões de pessoas.

Para reimplantar a vida no Rio Doce será preciso muito empenho, compartilhamento de tecnologias, e de recursos, tendo em vista a alta complexidade envolvida.

Com a proposta de criação de um fundo de volume financeiro significativo para custear todas essas ações compensatórias, o Instituto Terra espera uma grande união no sentido de permitir esse resgate, envolvendo o Governo federal, governos estaduais e municipais, Ministérios Públicos Estaduais e o Federal, e também Universidades, Centros de Pesquisa, ONGs, sociedade e iniciativa privada.

A lama densa ocupa o leito do rio, e vai se sedimentando e esterilizando a vida ecológica do Doce. O ecossistema vai ser todo alterado, com reflexos ainda desconhecidos na qualidade e quantidade da diversidade aquática que possa sobreviver. Do ponto de vista ambiental, muitas perdas são irreparáveis ao longo de todo o trajeto do rio até a sua foz, onde deve afetar inclusive a vida marinha hoje presente.

Mas o problema da água terá outras vertentes, comprometendo a qualidade de vida na área da bacia. Além da poluição lançada pelas indústrias e pelas outras atividades produtivas, a questão do saneamento, uma dívida histórica dos governos da região, deverá ser imediatamente atacada para evitar a proliferação em alto grau de bactérias junto a essa mistura de água e rejeitos. Sem a atuação da vida ecológica do rio isto certamente vai transformar o que foi ontem um rio vivo em um grande caudal de bactérias, com sérios riscos para a saúde da população, contaminando o solo e os produtos agrícolas produzidos na região.

O restabelecimento das matas ciliares, dos topos de morro, das áreas de proteção permanente e de reserva legal, uma exigência da legislação brasileira, se constitui em ação urgente como solução inicial ao resgate da biodiversidade e à diminuição da erosão. Essa cobertura florestal pode se constituir num filtro natural ao carreamento de detritos e rejeitos pelas águas da chuva até os corpos d’água que se dirigem à calha principal do rio.

O Rio Doce conta com um verdadeiro sistema de água, constituído por seus afluentes e os afluentes de seus afluentes. Somente a recuperação e a proteção de todas as nascentes podem ajudar a aumentar a produção de água de maneira suficiente para aumentar o volume na calha principal e assim permitir um repovoamento futuro, mesmo que parcial, da fauna e da flora. A restauração ecossistêmica das florestas igualmente contribuirá para a recuperação de funções ecológicas fundamentais ao Rio Doce.

Com conhecimento e tecnologias adaptadas à bacia do Doce, o Instituto Terra entende que pode ajudar a acelerar esse processo de reconstrução. O projeto piloto de recuperação das nascentes já foi testado, foi aprovado pela Agência Nacional das Águas (ANA) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, contando com o reconhecimento da ONU-Água.

A criação de um fundo financeiro nos moldes que o Instituto Terra está propondo deverá ser nas proporções necessárias para absorver todos os investimentos e as ações destinadas a garantir a continuidade da vida no Vale do Rio Doce, gerando recursos contínuos para projetos ambientais, sociais, econômicos e de geração de emprego e renda em toda a região.

“Nossa proposta é a de criação de um fundo significativo, mas dedicado exclusivamente aos projetos para recuperação ambiental da área da bacia do Doce. Será preciso um controle efetivo para evitar qualquer desvio de sua função ou o emprego em projetos que não correspondam às necessidades de reabilitação do Vale do Rio Doce. Precisamos a todo custo evitar a tentação de utilização desses recursos em programas ou ações que já eram devidos à população anteriormente a essa catástrofe, desvirtuando-o de sua proposta inicial. Precisamos evitar o varejo desse fundo. É essencial que ele seja aplicado, exclusivamente, na reconstrução desse vale destruído, afinal, trata-se mais de questão de interesse social e coletivo, do que de políticas de governos”, afirma Sebastião Salgado, cofundador e vice-presidente do Instituto Terra, ressaltando a necessidade de que o Governo federal inicie de forma ágil a negociação com as empresas responsáveis pelo desastre, para que os valores possam ser depositados em uma entidade bancária responsável nos moldes já existentes do fundo especial para a Amazônia, sob custódia do BNDES.

A tragédia faz retornar no tempo e relembrar o início do Instituto Terra, só que frente a um problema ambiental amplificado e a uma urgência sem precedentes. A maior diferença é que hoje a instituição conhece profundamente a região, as condições ambientais e a tecnologia para a recuperação ecossistêmica, além da vontade enorme de conseguir realizar.

Instituto Terra

Solidário a todos os atingidos pelo rompimento das barragens de rejeitos no município de Mariana, em Minas Gerais, em especial aos familiares das vítimas, o Instituto Terra entende que o momento exige ações urgentes dos poderes constituídos, no sentido de minimizar o sofrimento da população envolvida e dos impactos causados ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que deve atuar na responsabilização das empresas envolvidas, de acordo com a legislação brasileira, no sentido de efetivar a integral compensação pelos danos causados.

Durante toda a sua existência, o Instituto Terra pautou-se pelo verdadeiro sentido da palavra sustentabilidade, buscando ser interlocutor, mediador dos conflitos locais, mas também apresentando soluções técnicas efetivas para promover o equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente.

Diante do acontecido, o Instituto Terra imediatamente mobilizou todo o seu corpo técnico na elaboração de um projeto para recuperação do Rio Doce. A proposta prevê a criação de um Fundo com recursos financeiros subsidiados pelas empresas responsáveis pelo desastre, que possibilite, além da recuperação de nascentes, absorver todos os investimentos e ações destinados à reconstrução das condições ecológicas, bem como gerar recursos contínuos para projetos sociais, econômicos e de geração de emprego e renda em toda a região que constitui essa bacia hidrográfica.

O fundo deve permitir a criação de um patrimônio perpétuo para promover uma grande transformação no Vale do Rio Doce, saindo de um quadro de intensa devastação para um ambiente equilibrado, desenvolvido e produtivo.

O projeto já foi discutido com os Governadores de Minas Gerais e do Espírito Santo, bem como com o Governo federal. Cofundador e Vice-Presidente do Instituto Terra, Sebastião Salgado tratou do tema diretamente com a presidente Dilma Rousseff, na manhã desta sexta-feira (13 de novembro), em Brasília, que se mostrou empenhada e favorável à iniciativa, e assumiu o compromisso de criar um comitê para negociar com as empresas responsáveis pelas barragens de Mariana.

Além do Governo federal e dos Governos Estaduais, o plano para recuperação do Rio Doce deve envolver os governos municipais, a iniciativa privada e a sociedade civil organizada, para pleno direcionamento dos recursos e tecnologias a serem empregados na região.

Já sabíamos que restabelecer a vida do Rio Doce seria um processo difícil e de longo prazo. Agora, exigirá mais empenho e urgência nas ações, bem como uma aprendizagem ambiental compartilhada com a sociedade.

Mais do que nunca, o resgate do Rio Doce, destruído ecologicamente pelo desastre, passará por medidas de recuperação de todas as nascentes da bacia, para garantir uma maior produção de água, bem como a reconstituição das matas ciliares e das reservas legais, para evitar a sobreposição e acúmulo de mais resíduos, assim como o fortalecimento de um modelo agroecológico de produção rural. Somadas a outras ações socioambientais e de monitoramento, de toda a cadeia produtiva, em especial a industrial, acreditamos que será possível alcançar o pleno restabelecimento da região.

O Instituto Terra reafirma seu compromisso com a missão de replantar a Mata Atlântica e trazer de volta a vida, a água, ao Vale do Rio Doce, com projetos conectados e voltados diretamente para a promoção do desenvolvimento pleno de um Vale que há anos sofre com os efeitos da degradação ambiental.

Produtores rurais de Colatina e Baixo Guandu começaram a receber os materiais para cercar as nascentes que vão ser recuperadas e protegidas pelo Programa Olhos D’Água do Instituto Terra. Os dois municípios do Espírito Santo são bastante atingidos pela crise hídrica que assola o Rio Doce e vão ganhar mais 30 nascentes revitalizadas até meados de 2016, graças ao apoio da Fundação Anne Fontaine, com sede nos EUA.

Técnicos do Instituto Terra já efetivaram a entrega de mourões, arames e grampos suficientes para cercar 13 nascentes, sendo que nas próximas semanas serão entregues os insumos para as outras 17 nascentes cadastradas.

O trabalho de isolamento dos olhos d’água é realizado pelos próprios produtores a partir da assistência técnica do Instituto Terra, que também realiza o estudo georeferenciado das propriedades atendidas, formalizando propostas de adequação ambiental e permitindo a inscrição da unidade rural no CAR (Cadastro Ambiental Rural), uma das exigências do novo Código Florestal.

O Instituto Terra está perto de concluir a capacitação da 11º turma do curso pós-técnico em restauração ecossistêmica, com especial foco em áreas degradadas de Mata Atlântica. O curso é anual e oferecido gratuitamente, sendo que neste ano de 2015 contou com o apoio da Vale e da Fundação Aperam Acesita para sua realização.

Os 20 alunos em formação tiveram a oportunidade de participar de 1.700 horas/aula, incluindo além dos conhecimentos técnicos, principalmente atividades de campo envolvendo produção de mudas nativas de Mata Atlântica, reflorestamento de APPs e de Reservas Legais, proteção de nascentes e assistência técnica direta a pequenos produtores rurais, entre outras ações.

A aluna Juliana Aparecida Salarini Miranda ressalta que essa oportunidade de aprender na prática é o grande diferencial do curso. “Isso torna mais concreto o que deve ser compreendido por nós, alunos. E em todos os momentos e em todas as aulas temos cada vez mais certeza de que é isso que vamos querer fazer da vida, porque o futuro da humanidade está em nossas atitudes”.

Os alunos participantes ficam hospedados no Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica (NERE), uma estrutura própria na RPPN Fazenda Bulcão, a sede do Instituto Terra em Aimorés-MG. Além de alojamento e alimentação, cada aluno recebe ainda uma ajuda de custo mensal durante o período de formação.

A capacitação é voltada para técnicos agrícolas, agropecuários, florestais e de meio ambiente recém-formados, que após concluir a formação poderão atuar junto à comunidade rural, ajudando a disseminar um modelo de produção agropecuária mais sustentável. Para isso, a formação teórica e prática dos alunos envolve desde conhecimentos de Educação Ambiental e formação de brigadas para combate a incêndios florestais, até a implantação de viveiros para produção de mudas da Mata Atlântica, bem como sobre apicultura, monitoramento da cobertura florestal e recuperação de áreas degradadas.

“A Educação Ambiental trabalha exatamente isso, a transformação da mente das pessoas, para que sejam críticas o suficiente para poder identificar e melhorar problemas do meio ambiente. Poder trabalhar com isso é uma honra e uma missão belíssima”, avalia Juliana Miranda.

A capacitação é oferecida pelo Instituto Terra desde 2005 e já formou mais de 90 técnicos, sendo que desse total, mais de 80% estão atuando em sua área de formação, em suas cidades de origem, em pequenas propriedades de região, principalmente a partir de projetos dos Governos de Minas Gerais e do Espírito Santo na área ambiental.

Em 2008, a iniciativa garantiu ao Instituto Terra a conquista do Prêmio Ford Motor Company de Conservação Ambiental, na categoria Ciência e Formação de Recursos Humanos, pelo envolvimento com a comunidade e, sobretudo, pela proposta responsável de tornar o conhecimento científico acessível a pessoas do campo, que muitas vezes não têm acesso ao estudo formal.

A OMEGA Engineering e o Instituto Terra formalizaram uma parceria que vai permitir maior controle e precisão tanto na produção de mudas nativas para reflorestamento de Mata Atlântica como no monitoramento da vazão de água das nascentes protegidas pelo programa Olhos D’Água.

Com a nova parceria, o Instituto Terra contará gratuitamente com os equipamentos da OMEGA Engineering para aprimorar as ações realizadas no viveiro do Instituto Terra – como pesar as sementes, automatizar a irrigação, dar suporte na rede elétrica, mensurar a condutividade e a umidade do solo para garantir maior sucesso na implantação das mudas – e também no monitoramento da água das nascentes com a medição da turbidez e da vazão.

“Quando conhecemos o Programa Olhos D’Água ficamos motivados em colaborar. Contribuir para o desenvolvimento, a educação e a sustentabilidade dos países onde atuamos são valores importantes para a OMEGA Engineering”, explica Flavia Ferraro, especialista em Marketing da empresa.

Desenvolvido desde 2010 na região do Vale do Rio Doce, entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o Programa Olhos D’Água do Instituto Terra já ajudou a salvar da extinção mais de 1,2 mil nascentes e atendeu diretamente mais de 500 produtores rurais, que hoje estão colhendo os frutos da proteção, como a maior oferta de água em suas propriedades e aumento da produção agropecuária.

Em uma nova etapa do Programa, o Instituto Terra pretende iniciar até o final de 2015 a proteção de outros 4,7 mil olhos d’água na região, beneficiando mais de 2,4 mil produtores rurais.

Após recobrir com o verde da Mata Atlântica uma antiga fazenda de gado, localizada no interior do estado brasileiro de Minas Gerais, que estava completamente degradada após anos de exploração predatória, o Instituto Terra agora inicia uma nova etapa de sua estratégia de restauração florestal da Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Fazenda Bulcão, que visa aumentar a biodiversidade da floresta que foi replantada no local.

Dentro desta nova etapa de enriquecimento florestal da RPPN, o Instituto Terra acaba de receber o apoio da Crédit Agricole Suisse Foundation, com a destinação de 70 mil Euros. A parceria vai permitir somar o plantio de mais 16,8 mil mudas de 30 novas espécies nativas à área que está sendo reflorestada desde 1999. Os recursos vão garantir ainda a manutenção dessas novas árvores até dezembro de 2016. Com esse total de mudas espera-se cobrir 17,5 hectares da RPPN, que conta ao todo com 608,69 hectares, que equivale a uma área do tamanho de 842 campos de futebol de tamanho oficial.

Bioma de importância mundial, a Mata Atlântica reúne cerca de 20 mil espécies vegetais e para refazer as complexas interações existentes neste ambiente florestal é preciso reunir grande conhecimento técnico para tentar refazer também parte dessa biodiversidade.

“A reconstrução de uma floresta vai além do plantio de mudas nativas de forma sistemática. Florestas não são apenas árvores. As interações árvores x fauna x outros diversos tipos de vegetação são fundamentais e se apresentam em uma grande rede de relações. São essas interações, que ao serem destruídas pelo homem, mesmo apresentando alguns fragmentos, necessitam da intervenção para se restabelecer”, explica o analista Ambiental do Instituto Terra, Jaeder Lopes Vieira.

Segundo Vieira, utilizar uma única técnica acreditando no seu pleno restabelecimento pode se tornar frustrante. Para o Instituto Terra, essas relações apenas serão atingidas com paciência e respeitando o ritmo da natureza, o que implica em entender que o restabelecimento de uma floresta se dá em etapas, pois o ambiente que sofreu degradação intensa e constante não vai suportar as relações existentes antes da degradação. “É preciso ter paciência, perseverança e insistência. Plantar, plantar e cuidar. A natureza agradece e responde positivamente. Uma jovem floresta é ‘como um bebê’, precisa de atenção, cuidado e companhia. Esse é o início. Mas também já é uma floresta”, exemplifica Jaeder, que é engenheiro agrônomo e biólogo.

As ações de reflorestamento da Reserva do Instituto Terra realizadas nos últimos 17 anos garantiram o plantio de mais de 2 milhões de mudas nativas de Mata Atlântica, utilizando um número elevado de espécies – mais de cem por área, com destaque para aquelas que apresentavam um crescimento rápido, cobriam bem o solo e incorporavam matéria orgânica e nutrientes, protegendo o solo do impacto direto das chuvas e melhorando as suas características físicas e químicas.

“Nessa primeira etapa o objetivo maior era a proteção do solo, a melhoria das condições edáficas e a disponibilidade de alimento à fauna, que também contribui para a regeneração da floresta, aumentando a polinização e dispersando sementes”, destaca o analista Ambiental do Instituto Terra.

A parceria com a Crédit Agricole Suisse Foundation vai fortalecer a etapa de enriquecimento da área plantada, vai ajudar a restaurar os aspectos e características originais da floresta. Para isso, vão ser introduzidas as espécies denominadas de clímax. Ou seja, as novas etapas de plantio vão priorizar as árvores que dominam as copas da floresta, que vivem mais tempo e geralmente são as maiores, tais como braúna, óleo de copaíba, pau brasil, pitomba amarela, peloteira e palmito doce, entre outras espécies. Dessa forma espera-se um incremento da biodiversidade da floresta replantada, que agora tem capacidade de absorver com maior sucesso as espécies mais sensíveis deste complexo bioma que é a Mata Atlântica.

As atividades de produção das mudas já foram iniciadas pela equipe do viveiro do Instituto Terra e as etapas seguintes envolvem o preparo do solo, plantio das mudas e manutenção das mesmas.

O Instituto Terra e o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente (Caoa), assinaram um Termo de Cooperação oficializando parceria em favor do Programa Olhos D’Água, que tem como meta recuperar todas as nascentes do Rio Doce, estimadas em mais de 370 mil.

A parceria prevê, entre outras ações, que recursos oriundos de TACs Ambientais (Termos de Ajuste de Conduta) possam vir a ser direcionados para as ações de recuperação e proteção de nascentes desenvolvidas pelo Instituto Terra em municípios capixabas banhados pelo Rio Doce, bem como amparar iniciativas de educação ambiental junto ao público da região objetivando promover o uso racional da água e a proteção aos mananciais.

“Essa parceria representa um passo importante para a instituição, que tem como finalidade atender aos anseios da sociedade capixaba. Trata-se de pensar no futuro. De dar possibilidades para que os nossos filhos e netos tenham uma condição mínima de reverter os erros que a nossa – e outras gerações passadas – cometemos em nome de um ‘desenvolvimento’ ou ‘progresso’ propostos de forma desordenada e inconsequente”, destacou o Procurador-geral de Justiça do MPES, Eder Pontes da Silva.

Também participaram da assinatura do Termo de Cooperação a dirigente do Caoa, Promotora de Justiça Isabela de Deus Cordeiro, e os membros da diretoria do Instituto Terra, José Armando de Figueiredo Campos, Henrique Lobo e Robson Melo, além do analista de projetos, Gilson Gomes.

A dirigente do Caoa, Isabela de Deus, destacou a importância do Judiciário trabalhar em colaboração com representantes da sociedade civil organizada. “Em épocas em que a escassez hídrica transformou-se em um dos itens constantes da pauta atual da agenda política é preciso reconhecer a importância e não desperdiçar a força advinda de todos aqueles que desejam reconhecer-se como colaboradores, especialmente quando partem da própria sociedade civil e sinalizam esforços em prol da implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e da recuperação de áreas protegidas, a exemplo das nascentes, que cumprem funções sociais e ambientais relevantes para a minimização dos impactos provenientes da redução dos índices pluviométricos em nosso Estado”, avaliou.

Essa parceria entre Instituto Terra e MPES vai permitir estabelecer, por exemplo, um programa de educação ambiental voltado para os infratores, sensibilizando para questões como ocupações de área de risco e necessidade de proteção da fauna e da flora capixaba, visando uma redução do número de infrações ambientais no Estado.

Para Adonai Lacruz, superintendente Executivo do Instituto Terra, essa parceria é muito importante principalmente por sinalizar um reconhecimento pelo trabalho que o Instituto Terra vem realizando há anos. “O fato de um órgão de abrangência como o Ministério Público se engajar nas ações de recuperação de nascentes, tornando-se parceiro do programa Olhos D’Água, nos dá credibilidade, e impulsiona a continuar atuando em favor do desenvolvimento sustentável da região banhada pelo Rio Doce. Acreditamos que somente a união de forças entre todos os setores da sociedade nos permitirá reverter esse quadro de degradação ambiental, que neste momento, em especial, é revelado pela crise da água”, disse.

Para realizar os objetivos do Termo de Cooperação serão formalizados nos próximos dias convênios específicos entre as partes (MPES e o Instituto Terra).

Perto de 10 mil alunos de 14 escolas públicas da Serra vão ter a oportunidade de enveredar pelo mundo das imagens do trabalho fotográfico “Êxodos”, de Sebastião Salgado, por meio de exposições itinerantes que estão sendo montadas nas unidades de ensino do município durante o ano letivo de 2015.

A iniciativa é do Instituto Terra, ONG ambiental fundada por Sebastião Salgado e sua esposa Lélia Wanick, e conta com o patrocínio da ArcelorMittal Tubarão e parceria da Secretaria de Educação da Prefeitura da Serra. O projeto denominado “Um Mundo de Imagens: Exposição Itinerante da Coleção Êxodos” promoveu a primeira exposição na Escola Dom Helder P. Câmara, no início de junho. As demais escolas participantes do projeto recebem a mostra fotográfica em sequência, com exposições previstas até o mês de setembro deste ano.

“Um Mundo de Imagens” tem a proposta de utilizar a arte como instrumento de educação, inserindo a vertente do saber ambiental por meio de conteúdo paralelo. A iniciativa vai beneficiar diretamente 9.947 alunos da primeira fase do ensino fundamental do município, e, indiretamente, outras 21 mil pessoas da comunidade local, tendo em vista que cada exposição será também aberta ao público em dias específicos. Ao final das exposições, cada escola participante receberá uma coleção completa de ‘Êxodos’, composta por 60 imagens, como doação do Instituto Terra para acervo permanente.

Visitas guiadas e oficinas – Aproveitando as visitas guiadas dos alunos à exposição fotográfica ‘Êxodos’, o projeto vai promover atividades educativas dentro de uma visão sistêmica do meio ambiente e considerando o aspecto social uma das dimensões importantes para a formação do ser humano.

“Um dos eixos de atuação do Instituto Terra é a educação ambiental, uma temática complexa e que envolve aspectos das esferas econômica, política, social e ecológica da sociedade. Neste sentido, vamos utilizar as imagens de ‘Êxodos’ como estimulo junto aos estudantes para o necessário debate sobre o papel e a interferência de cada indivíduo e de seus atos na sociedade e no ambiente em que vive”, explica Gladys Nunes Pinto, analista de Educação do Instituto Terra e idealizadora do projeto.

Como etapa inicial do projeto, um grupo de 52 professores da rede municipal foi capacitado na segunda semana de maio para atuar junto aos alunos e demais professores, auxiliando na análise das imagens fotográficas de ‘Êxodos’, uma mostra que impactou o mundo em seu lançamento, na virada do milênio. Após as visitas guiadas à exposição, os alunos de cada escola são estimulados a se expressar criativamente sobre o que aprenderam a partir das Oficinas de Criação.

Nessa fase os alunos são orientados pelos professores para criarem um novo trabalho ou arte, por meio de diferentes linguagens artísticas, retratando o meio em que vivem, seja o meio natural ou o com interferência humana. Como atividade de encerramento, o projeto prevê exposições com as criações dos alunos.

As imagens de ‘Êxodos’ registram a história da humanidade em trânsito, de pessoas de diferentes nacionalidades que se tornaram migrantes, refugiados ou exilados por forças que não tiveram como controlar, fugindo da pobreza, da repressão ou das guerras. A exposição é fruto de um trabalho desenvolvido pelo fotógrafo Sebastião Salgado com a parceria de sua esposa, Lélia Deluiz Wanick Salgado, durante seis anos, percorrendo 40 países.

Projeto “Um Mundo de Imagens: Exposição Itinerante da Coleção Êxodos”

Escolas participantes / Data

Dom Helder P. Câmara (28 e 29 de Maio; 1 a 3 de Junho) Valéria Maria Miranda (8 a 12 de Junho) Naly da Encarnação Miranda (15 a 19 de Junho) Jonas Farias (22 a 26 de Junho) Ismênio de Almeida Vidigal (29 de Junho a 3 de Julho) Jardim Bela Vista(6 a 10 de Julho) EEEF Elice Baptista Gaudio (27 a 31 de Julho) Carla Patrícia (3 a 7 de Agosto) Altair Siqueira Costa (10 a 14 de Agosto) Dom José Mauro P. Bastos (17 a 21 de Agosto) Manoel Carlos de Miranda (24 a 28 de Agosto) Padre Gabriel (31 de Agosto a 4 de Setembro) João Paulo II (8 a 11 de Setembro) Maria Istela Modenesi (28 e 29 de Maio, 1 a 3 de Junho)

Com o Programa Olhos D’Água o Instituto Terra segue firme em seu propósito de ajudar a recuperar todas as nascentes da bacia hidrográfica do Rio Doce, estimadas em cerca de 400 mil. Para isso, desde o início o programa tem sido realizado a partir de inúmeras parcerias com importantes agentes da iniciativa pública e privada, viabilizando os recursos necessários para as ações de proteção. Conheça abaixo mais dois desses parceiros com projetos em andamento no município de Aimorés, em Minas Gerais:

Vale – Até o final deste ano, mais 474 nascentes do rio Capim, afluente do rio Doce que corta Aimorés, em Minas Gerais, estarão protegidas a partir da parceria com a Vale. O projeto foi iniciado em setembro de 2012 e vai beneficiar diretamente 180 produtores rurais, que vão contar com o cercamento das nascentes, plantio de mudas nativas para revegetação da área de entorno dos olhos d’água, implantação de fossa séptica biodigestora (tecnologia Embrapa) para tratamento do esgoto doméstico e projeto técnico de adequação ambiental da propriedade, viabilizando o Cadastro Ambiental Rural. Até o final do projeto o Instituto Terra também vai manter o monitoramento de 10% das nascentes protegidas como forma de identificar os ganhos obtidos com as ações de proteção.

IEF – Instituto Estadual de Florestas – Convênio com o órgão do Governo de Minas Gerais está viabilizando a doação de insumos como mourões, arame e grampos necessários para construção das cercas no entorno de 150 olhos d’água no município de Aimorés, Minas Gerais. Ao receber esse material, os próprios produtores rurais cadastrados no programa vão receber as orientações técnicas para realizar a proteção das nascentes, o que deverá estar integralmente concluído até fevereiro de 2018.

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