Aimorés, 16 de março de 2022 – O Instituto Terra vem por meio desta nota se solidarizar com o povo Krenak e recomendar ao Parque Estadual de Sete Salões uma revisão do seu plano de manejo.

O Instituto Terra faz parte do Conselho Consultivo do Parque Estadual de Sete Salões e participou da construção da atual versão do plano de manejo, que foi aprovado no último dia 22 de fevereiro. Dias depois, chegaram ao conhecimento do Instituto as contundentes ressalvas ao processo de elaboração do plano de manejo do Parque, apontadas pelo povo indígena Krenak.

Em seus quase 24 anos de atuação, o Instituto Terra sempre prezou pela conservação da mata atlântica no Vale do Rio Doce e busca manter um bom relacionamento com todos os agentes engajados nessa missão. Por isso, o Instituto vem a público afirmar que:

  • As reivindicações do povo Krenak são pertinentes e devem ser levadas em consideração por toda a sociedade, em especial as comunidades adjacentes ao seu território.
  • A resistência do povo Krenak é fundamental para a preservação das florestas na região do Vale do Rio Doce.
  • O plano de manejo de uma unidade de conservação é um documento vivo, passível de mudanças.
  • A função primordial das organizações de preservação ambiental é garantir a conservação dos ecossistemas daquela área, causa com a qual as famílias indígenas Krenak também pactuam.

Por tudo isso e por entender que somos todos parceiros na missão de conservar os ecossistemas no Vale do Rio Doce, o Instituto Terra recomenda ao Parque Estadual de Sete Salões a revisão do atual Plano de Manejo, num processo que inclua a participação direta do povo Krenak.

Com isso, o Instituto Terra reafirma o seu compromisso de estreitar o relacionamento de agentes e comunidades que atuam na preservação ambiental.

Instituto Terra anuncia nova diretoria executiva

Sérgio Rangel, consultor e especialista em Gestão Empresarial, assume a função no lugar de Isabella Salton, que deixa o cargo por motivos pessoais.

 

Comunicamos a todos as mudanças na Diretoria Executiva do Instituto Terra, ocorridas em 1° de março deste ano.

Isabella Salton, que estava na função de Diretora Executiva desde maio de 2016, deixou o Instituto Terra por motivos pessoais. A posição foi assumida por Sérgio Rangel, consultor e especialista em Gestão Empresarial com vasta experiência profissional. Ele conta com a Assessoria Técnica de Pieter-Jan van der Veld, engenheiro agrônomo graduado na Holanda e com mais de 25 anos de experiência de trabalho com pequenos agricultores e comunidades indígenas no Brasil.

As deliberações foram tomadas pelo Conselho Diretor do Instituto Terra em reunião extraordinária realizada no último dia 18 de fevereiro e comunicadas aos funcionários do Instituto Terra.

As mudanças na Diretoria Executiva estão alinhadas com a missão do Instituto Terra de promover a restauração ecossistêmica, a educação ambiental e o desenvolvimento rural sustentável no Vale do Rio Doce. Além de otimizar a gestão e os processos internos, o Instituto pretende ampliar seu potencial de ação, mobilizando parceiros e apoiadores comprometidos com o movimento planetário de preservação e recuperação ambiental.

Registramos aqui nossos agradecimentos a Isabella Salton pelos quase seis anos de dedicação ao Instituto, pelo apreço e carinho que sempre demonstrou para com toda a equipe em período de grandes desafios e transformações, e pelo profissionalismo com que conduziu o diálogo com todos aqueles que se relacionam com o Instituto Terra. Registramos também nossos votos de sucesso a Sérgio Rangel na nova função que passa a ocupar.

Seguimos juntos na nossa missão.

O processo seletivo para a turma 2022 do Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica (NERE) do Instituto Terra foi concluído.

Foram selecionados 19 candidatos, advindos de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Boa parte dos agentes que integrarão a turma deste ano já havia sido selecionada para a turma de 2020, que foi interrompida por causa da pandemia. Agora, os jovens se preparam para viver uma experiência transformadora de formação técnica em restauração de ecossistemas, com aulas teóricas e práticas no Instituto Terra e arredores.

Desejamos sucesso para a nova turma!

Confira a lista completa de aprovados:Lista de Aprovados Turma NERE 2022

31 de janeiro é o Dia Nacional das RPPNs, e nós do Instituto Terra fizemos este post para estimular que mais proprietários de terra no Brasil criem áreas de preservação ambiental. 

O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo. São mais de 116.000 espécies animais e mais de 46.000 espécies vegetais conhecidas no País, espalhadas pelos seis biomas terrestres e três grandes ecossistemas marinhos. Essa rica biodiversidade posiciona o Brasil como protagonista nas discussões globais sobre meio ambiente. Preservar a diversidade biológica é fundamental para o futuro do planeta. E isso tem tudo a ver com as RPPNs, olha só: 

O que é RPPN?

RPPN é a sigla para Reserva Particular do Patrimônio Natural, uma categoria de unidade de conservação criada em áreas privadas, por iniciativa dos proprietários de terra que reconhecem o valor ambiental de sua área. O objetivo principal de criar uma RPPN é conservar a biodiversidade do local, já que os proprietários da terra assumem o compromisso de proteger a natureza. 

As RPPNs foram criadas por decreto em 1990 e passaram a ser consideradas Unidades de Conservação no ano 2000, com a publicação da Lei 9.985, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Elas são uma importante contribuição da sociedade civil para a proteção do meio ambiente, pois divide com o governo o ônus da gestão. As áreas de RPPN são gravadas com perpetuidade, na matrícula do imóvel, sendo que o proprietário não perde a titularidade.

Além de preservar belezas cênicas e ambientes históricos, as RPPNs assumem cada vez mais objetivos de proteção de recursos hídricos, manejo de recursos naturais, desenvolvimento de pesquisas cientificas, manutenção de equilíbrios climáticos ecológicos entre vários outros serviços ambientais. Isso porque são permitidas atividades recreativas, turísticas, de educação e pesquisa na Reserva, desde que estejam previstas em seu plano de manejo e/ou autorizadas pelo órgão ambiental responsável pelo seu reconhecimento. 

Conservação da biodiversidade, estímulo à consciência ambiental e perpetuidade: por que as RPPNs são importantes

As RPPNs trazem em sua essência um compromisso da sociedade civil com a conservação dos ecossistemas, pois a iniciativa de tornar aquela área uma RPPN parte do proprietário da terra. As RPPNs contribuem de forma significativa para a ampliação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), aumentando não só a quantidade de áreas de preservação em si, como possibilitando que mais pessoas e comunidades se engajem na conservação do meio amebiente e da biodiversidade do local. Atualmente, o Brasil conta com 1.567 RPPNs distribuídas em todas as unidades federativas do país; juntas, essas reservas somam mais de 890 mil hectares de área preservada. 

As RPPNs também são espaços para boas experiências na natureza, pondo as pessoas em contato direto com o ambiente natural e proporcionando o desenvolvimento regional, através de atividades de turismo ecológico, pesquisa científica e educação ambiental. 

As RPPNs trazem diversas vantagens para seus proprietários: a primeira delas é a certeza de que a área será perpetuamente preservada. Outros benefícios são o Direito de propriedade preservado; Isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) referente à área criada como RPPN; Prioridade na análise dos projetos, pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA); Preferência na análise de pedidos de concessão de crédito agrícola, junto às instituições oficiais de crédito, para projetos a serem implementados em propriedades que contiverem RPPN em seus perímetros; e Possibilidades de cooperação com entidades privadas e públicas na proteção, gestão e manejo da unidade. Em contrapartida, os donos de Reservas têm por obrigação administrar e proteger suas áreas, cabendo aos órgãos federais ou estaduais apoiar o manejo e a gestão das RPPNs. 

Por tudo isso, as RPPNs são hoje uma das mais importantes e efetivas estratégias para a conservação dos biomas brasileiros.

Como criar uma RPPN?

Para criar uma RPPN, o dono do terreno deve fazer um requerimento junto ao órgão ambiental, que vai analisar os documentos e fazer uma vistoria técnica no local. Em nível federal, o Instituto Chico Mendes (ICMBio) é o órgão responsável pela criação de RPPNs; e há também Secretarias Estaduais e Municipais de Meio Ambiente, Institutos e Prefeituras que podem conceder o título de RPPN. Confira a lista de órgãos ambientais da Confederação Nacional de RPPNs e encontre o mais próximo de sua propriedade.  

 Depois da vistoria e análise documental, será elaborado um Termo de Compromisso e averbado à margem da escritura pública do imóvel, possibilitando, por fim, a publicação da Portaria de criação da RPPN. Uma vez instituída, a reserva passa a integrar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, conforme previsto na Lei Federal nº 9.985/2000. Por ter caráter perpétuo, a Reserva será mantida mesmo em caso de repasse para herdeiros ou venda da área, que só poderá ser desafetada através de projeto de lei. Veja o procedimento para criação de RPPN do ICMBio

Vale destacar que as RPPNs podem ser criadas tanto em áreas rurais quanto em zonas urbanas, não havendo tamanho mínimo para seu estabelecimento. A Reserva tem domínio privado e caráter perpétuo, portanto não há desapropriação ou alteração dos direitos de uso da propriedade. 

RPPN Fazenda Bulcão Instituto Terra / Leonardo Merçon (Instituto Últimos Refúgios)

 

O Instituto Terra e a RPPN Fazenda Bulcão

Quando decidiram criar o Instituto Terra, Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado se mobilizaram para que a antiga fazenda da família Salgado fosse reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). 

O título de RPPN foi concedido pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Portaria do Instituto Estadual de Florestas IEF/MG Nº 081, promulgada em 07 de outubro de 1998. Esse título guarda seu ineditismo por ser a primeira RPPN criada em uma área degradada, com o compromisso de vir a ser recuperada

Compromisso este que é levado a cabo Instituto Terra, que desenvolve atividades de produção e plantio de mudas nativas, pesquisa científica aplicada, proteção e recuperação de nascentes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce, além de promover projetos de educação ambiental e formação técnica em restauração ecossistêmica e turismo ecológico. 

Hoje, mais de duas décadas depois de criada, a RPPN Fazenda Bulcão conta com 608,69 hectares cobertos por uma jovem floresta replantada com mais de 2,5 milhões de árvores, de quase 300 espécies nativas da Mata Atlântica. Além da diversidade de espécies vegetais restabelecida, olhos d’água e animais também voltaram a aparecer na reserva. Mais de 230 espécies da fauna brasileira, algumas ameaçadas de extinção, encontratam na RPPN Fazenda Bulcão um refúgio seguro para viver.

Conheça mais características da RPPN Fazenda Bulcão no perfil da Reserva na plataforma Restor (Crowther Lab). 

 

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Após quase dois anos de atividades suspensas, o curso volta a receber estudantes no início do próximo ano.

O Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica (NERE) teve suas atividades suspensas desde o início da pandemia do COVID-19. 2020 e 2021 ficarão marcados como os primeiros anos desde a criação do curso onde não houve formação de agentes. Agora, seguindo as normas de flexibilização, o Núcleo retornará com as atividades presenciais com estudantes.
Agentes da turma de 2020 têm seu direito de retorno garantido. E, para finalizar a formação da turma NERE 2022, o Instituto Terra lança um edital com o objetivo de selecionar mais estudantes.

Confira o edital completo AQUI.

 

Sobre o NERE
Inaugurado em agosto de 2005, o Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica é um curso de formação pós-técnico que proporciona aperfeiçoamento profissional e formação teórica em áreas como: Socialização Pedagógica, Acompanhamento de Projetos de Recuperação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, e Educação e Interpretação Ambiental.
Funcionando em regime de semi-internato, incluindo alojamento e alimentação, a capacitação oferecida pelo NERE tem duração de 1 ano e conta com atividades práticas e teóricas.
Além de atuar nos setores internos do Instituto Terra, a turma de jovens também vivenciam experiências fora do Instituto, realizando intervenções e palestras, acompanhando produtores rurais nos projetos de proteção de nascentes, dentre outras atividades que contribuem para a formação dos agentes ambientais.

 

Mais informações
Para mais informações sobre o curso, contate o Orientador Educacional responsável pelo NERE:
Arlon Mattos
+55 21 99442-0533
[email protected]

 

Atualização em 01/02/2022: Este processo seletivo foi encerrado. Confira a lista de aprovados AQUI.

Parceria do tradicional festival de música Wacken Open Air com WWF Alemanha e Instituto Terra vai recuperar nascentes da Bacia Hidrográfica do Rio Doce.

 

Pela primeira vez desde seu surgimento, em 1990, o festival de heavy metal ao ar livre Wacken Open Air, que ocorre anualmente na pequena vila de Wacken, no norte da Alemanha, teve que ser cancelado em 2020. A pandemia de Covid-19 adiou o encontro dos fãs de heavy metal, mas não os impediu de exercer a sua solidariedade. 

A organização do festival se uniu à WWF Alemanha e convocou os metalheads a participarem de uma campanha colaborativa em prol do meio ambiente e do desenvolvimento socioeconômico. O programa Olhos D’Água, desenvolvido pelo Instituto Terra, foi escolhido para pôr em prática um projeto socioambiental na Mata Atlântica.

Wacken Open Air
O festival Wacken Open Air é realizado anualmente desde 1990

 

Em ação desde abril, a parceria mobilizou 15 produtores rurais da cidade mineira de Pocrane para proteger e recuperar 30 nascentes da Sub-bacia do Rio Manhuaçu. Os produtores que participam do projeto trabalham em sua maioria com pecuária e aceitaram cercar suas nascentes porque sabem da importância de cuidar das fontes de água. Esse cuidado é ainda mais significativo na região, pois essas nascentes formam o Córrego Bom Retiro — conhecido como “Corredeira” —, de onde é feita a captação da água para abastecer toda a cidade de Pocrane. 

O projeto está na fase de construção da cerca ao redor das nascentes, uma etapa que exige muito empenho dos produtores. Isso porque o ideal é que cercamento seja feito antes da chegada das chuvas, em novembro. O período chuvoso é o momento ideal para iniciar a próxima etapa do projeto: o plantio de mudas nativas da Mata Atlântica, que vão formar uma pequena floresta e ajudar a proteger a nascente.

Cercamento de nascentes - Wacken Open Air e WWF Alemanha
Produtores e Prefeitura de Pocrane cercando nascentes pelo programa Olhos D’Água com Wacken Open Air e WWF Alemanha

 

Nesta etapa de cercamento dos olhos-d’água, o projeto também está contando com o importante apoio da Prefeitura de Procrane, que tem oferecido mão-de-obra para efetuar o cercamento das nascentes e tem auxiliado no transporte dos insumos até áreas de difícil acesso.

A realização do projeto segue até dezembro de 2023. Até lá, seguimos cuidando das nascentes, plantando árvores e curtindo muito heavy metal.

 

Análise das últimas duas décadas de chuvas em Aimorés-MG mostram por que a floresta passou de semidecidual a decidual – Por Pieter-Jan van der Veld*

Na série da televisão Cosmos, o famoso astrofísico Neil deGrasse Tyson demonstrou as mudanças climáticas através da uma caminhada na praia com um cachorro. O cachorro corre para frente do dono, depois volta, fica para atrás, anda para a água, se afasta… o animal faz assim uma trilha caprichosa, mas sempre acompanhando o dono. O caminho do cachorro era o tempo de dia a dia, de mês a mês, de ano a ano. Já a rota do homem era o trajeto do clima.

Quando olhamos para os dados de chuva na região do Instituto Terra nos últimos 20 anos, a gente está vendo o caminho do cachorro. Em 2002, as chuvas boas começaram em novembro, mas no ano seguinte, somente em dezembro. Os anos 2018 e 2019 foram de muita seca, mas o ano 2020 teve bastante chuva. Cada ano é diferente. O que nós precisamos aqui é distinguir o caminho do cachorro da rota do homem. Para fazer isso, podemos usar o método de média móvel.

O gráfico abaixo mostra a média móvel de cinco anos da chuva em Aimorés/MG durante o período de 2002 a 2020. O primeiro número é a média dos anos 2002 a 2006, o segundo é a média de 2003 a 2007, e assim por diante. Dessa forma, podemos comparar as flutuações ano a ano e ver qual é a tendência do clima no longo prazo.

A linha azul constante representa a média móvel, que dá uma ideia sobre como o clima se comportou nos últimos 20 anos. É importante perceber que o gráfico pode enganar. O pico no meio de gráfico dá a impressão de que, durante alguns anos, houve uma pequena melhora nas chuvas registradas, mas essa não é a realidade. Em dezembro de 2013, houve uma enchente na região, e isso jogou a média para cima no trecho do gráfico 2009-2013 até 2013-2017.

Portanto, a melhor forma de compreender é olhar para a linha da tendência, que é a linha pontilhada. A linha da tendência começa uma média móvel um pouco acima de 1.200 mm e, 20 anos mais tarde, termina em cerca de 700 mm (menos de 60% da média inicial). Se levamos em conta também a distorção causada pela enchente de dezembro 2013, podemos dizer que hoje em dia temos um regime da chuva que ficou quase a metade de como era 20 anos atrás.

Para entender melhor a mudança do clima regional, fizemos uma comparação entre a última e a penúltima década. Os dados mostram que houve mais seca e uma estação de chuvas mais curta e irregular. A última década teve quatro períodos contínuos de três meses ou mais de chuva razoável ou boa, enquanto a penúltima teve sete períodos assim. A penúltima década teve 18 meses com chuva boa, acima de 200 mm, e a última década, somente oito. As comparações entre as décadas também mostram uma estação de seca mais rígida. Mesmo na estação de seca, pode acontecer de cair uma chuva fraca, mas que alivia o estresse hídrico das plantas e melhora as chances da sobrevivência das mudas recém-plantadas. A penúltima década teve 8 meses com chuva fraca durante a estação de seca, a última década teve somente 5 meses.

Não podemos confirmar que as mudanças climáticas na região da Aimorés são permanentes, mas tudo indica que sim. As análises estão de acordo com as previsões de modelos científicos sobre uma mudança climática global, com secas e enchentes mais severas. Também estão de acordo com os modelos científicos que preveem que desmatamento na Amazônia resulta em mais seca no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Na RPPN Fazenda Bulcão, as árvores que foram plantadas 10 ou 20 anos atrás e eram perfeitamente adequadas para o clima do local agora estão enfrentando um regime de chuvas bem menos favorável. Em termos da ecologia, podemos dizer que a floresta da RPPN Fazenda Bulcão passou de semidecidual a decidual (mata seca). Por isso, o Instituto Terra começou um trabalho de diversificação de espécies na Reserva. Na sombra das árvores da plantação original, a equipe do Instituto está plantando mudas de espécies nativas que pertençam a mata seca, assim estabelecendo uma floresta sustentável adaptada para o novo clima.

Para o Instituto Terra e seu trabalho de restauração florestal, as mudanças no clima regional significam adaptações em suas técnicas de reflorestamento, especialmente na escolha das espécies de mudas nativas que serão plantadas na região.


Pieter-Jan van der Veld
Pieter-Jan van der Veld

* Pieter-Jan van der Veld é bacharel em Agricultura Tropical pela “International Agricultural College Larenstein” (Deventer, Holanda, 1991). Possui 25 anos de experiência em trabalho com pequenos agricultores e comunidades indígenas na Amazônia Legal. De março de 1998 até julho de 2019, trabalhou como Analista de Pesquisa e Desenvolvimento Socioambiental do Instituto Socioambiental (ISA) – Programa Rio Negro, atuando na Terra Indígena Alto Rio Negro. Tem desenvolvido Pesquisas Participativas com comunidades alternativas e escolas indígenas diferenciadas, atividades de Manejo Sustentável de Recursos Naturais e atividades de Produção Agrícola Alternativa, atuando principalmente com pesquisa de paisagens indígenas, levantamento de recursos florestais, levantamento de recursos pesqueiros, etnomapeamento, gestão de projetos pelas associações indígenas, piscicultura indígena, meliponicultura, manejo agroflorestal e gerência de viveiros de mudas. Atualmente, Pieter trabalha como assessor técnico no Instituto Terra, contribuindo para projetos de desenvolvimento socioeconômico, restauração ecossistêmica e recuperação de nascentes.

Cúpula do clima começa hoje (31) e procura garantir compromisso das nações com metas de redução de emissões de CO2.

As negociações climáticas internacionais da COP 26 em Glasgow, na Escócia, acontecem em um momento crucial. Na terça-feira (26/10), a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que compromissos atuais com o corte de emissões de gases de efeito estufa colocam o planeta a caminho de um aumento de temperatura médio de 2,7º C ainda neste século.
Enquanto eventos climáticos extremos, que vão de incêndios florestais a inundações, atingem países de todo o globo, um relatório da ONU de agosto alertou que o aquecimento global provocado pelas emissões de gases de efeito estufa pode romper a marca de 1,5º C nas próximas duas décadas.

Mas o que é a COP 26? E qual sua importância para o tema?
Em sua 26ª edição, a COP é a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O evento acontece anualmente, mas foi adiado no ano passado por causa da pandemia. Muitos líderes mundiais comparecem, e grande parte das discussões acontecem entre ministros e outras autoridades que trabalham com questões climáticas.
Um dos resultados mais proeminentes — o Acordo de Paris — foi firmado durante a COP 21, em 2015, por exemplo. Nele, mais de 190 países assinaram um tratado para limitar o aumento das temperaturas globais abaixo de 2 graus Celsius dos níveis pré-industriais, mas de preferência para 1,5 grau.
Embora o Acordo de Paris tenha sido um marco na busca por enfrentar a crise climática, ele não incluiu detalhes sobre como o mundo alcançaria seu objetivo. As COPs subsequentes têm grande importância pois buscam justamente tornar os planos a ela associados mais ambiciosos e detalhar planos de ação.

Neste ano os objetivos principais para a COP 26 são:

 

  • Manter a meta de “1,5 grau viva”: uma meta a que alguns países produtores de combustíveis fósseis têm resistido, pelo menos em termos de fortalecimento da linguagem em torno dela em qualquer acordo;
  • Colocar uma data-limite para acabar com o uso de carvão “inabalável”: o que deixa em aberto a possibilidade de continuar usando algum tipo carvão, desde que a maior parte das emissões de gases de efeito estufa do combustível fóssil seja capturada, impedindo-os de entrar na atmosfera. Alguns cientistas e grupos de ativistas disseram que todo carvão deveria ser relegado à história.
  • Fornecer US$ 100 bilhões de financiamento climático anual: o que as nações ricas concordaram, para ajudar os países em desenvolvimento a reduzir as emissões de combustíveis fósseis e se adaptar aos impactos da crise.
  • Fazer com que todas as vendas de carros novos sejam de zero emissões em 14 a 19 anos.
  • Acabar com o desmatamento até o final da década, já que as florestas desempenham um papel crucial na remoção de carbono da atmosfera.
  • Reduzir as emissões de metano, um gás potente com mais de 80 vezes o poder de aquecimento do dióxido de carbono.

Para saber mais, acesse o site da COP 26 em inglês.

Com informações de CNN Brasil/ONU

Estamos participando nesta semana, através de um bate-papo, do 7º Festival Cine.Ema, que surgiu para conectar pessoas às questões ambientais e aos desafios sustentáveis do nosso tempo através da arte. 

Durante o festival, um pouco das experiências e projetos do Instituto Terra serão levados ao público numa roda de conversa com a participação da nossa gerente de Educação e Pessoas, Andressa Catharina. 

A programação cultural do 7º Festival Nacional de Cinema Ambiental do Espírito Santo traz a exibição de 21 filmes nacionais com temática ambiental, além de conversas, conteúdos sobre cinema e sustentabilidade, oficinas e muito mais.

Os filmes, que foram separados em três categorias (Mostra Cine.Ema, Mostra Cine.Eminha e Mostra Paulo Freire), estão disponíveis de maneira gratuita e acessível no site: https://cineema.com.br/ 

 

Não deixe de conferir!  

 

Após um longo período de estiagem a chuva finalmente chegou na RPPN Fazenda Bulcão! E é com muita alegria que, após cerca de um ano de preparação e cuidado, começou ontem (19) a temporada de plantio das mudas produzidas aqui no nosso viveiro. A hora de ir para a mata é determinada pelo início da estação chuvosa e a previsão de precipitação constante, facilitando o pegamento e reduzindo a taxa de mortalidade.

Serão plantadas, em média, de 3 a 5 mil mudas por dia. Até o final da estação, o total deve chegar a quase 170 mil novas inserções. Entre elas, estão espécies de recobrimento do solo, para evitar, entre outros riscos, a erosão, e de biodiversidade, que garantirão maior riqueza e a continuidade da nossa floresta.

Veja a seguir registros do primeiro plantio do ano:

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