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Refletir para transformar: descolonização e antirracismo em pauta no Terra Jovens 

Oficina do programa de educação ambiental do Instituto Terra reuniu debates, trocas de experiências e teatro para estimular o pensamento crítico e a construção coletiva de soluções 

O que fazer diante de uma situação de preconceito? Como transformar o diálogo em ferramenta de mudança? Essas foram algumas das reflexões que mobilizaram os participantes do programa Terra Jovens durante uma oficina sobre descolonização e antirracismo, que combinou debates, troca de experiências e teatro para estimular o pensamento crítico e a construção coletiva de soluções. 

Ministrada por Cláudia Ferraz, a oficina “A descolonização e o antirracismo em ação pelo Teatro Fórum” trouxe à tona questões profundamente enraizadas na sociedade brasileira, convidando os participantes não apenas à reflexão, mas também à vivência de diferentes perspectivas por meio da escuta, do diálogo e da experimentação. 

Um debate para ampliar olhares 

Em um primeiro momento, Cláudia abordou os desafios enfrentados pelo Brasil e apresentou autores fundamentais para compreender os processos de colonização, descolonização e as relações raciais no país. A partir dessas reflexões, diversos participantes compartilharam experiências próprias, o que deu origem a um debate marcado pela escuta, pelo respeito e pela troca de diferentes pontos de vista. 

Para a palestrante, um dos momentos mais marcantes da oficina foi justamente a coragem dos jovens em dividir experiências de preconceito vividas por eles. “Infelizmente, muitos relatos contaram que sofreram racismo em sala de aula e por professores. O que me fez pensar na necessidade de um trabalho de literacia racial e sensibilização que possa incluir também os docentes.” 

Crédito: Thiago Amorim
Crédito: Thiago Amorim
Crédito: Thiago Amorim

A jovem Lara Pires da Silva afirma que a experiência foi importante para conhecer outras realidades. “Foi interessante escutar histórias vividas pelos colegas e compreender o impacto que essas situações causam em cada um. Também gostei de termos tido espaço para criarmos e desenvolvermos em conjunto uma situação para debater essa pauta.” 

Teatro Fórum como ferramenta de transformação 

Na segunda parte da oficina, os participantes vivenciaram o Teatro Fórum, uma técnica interativa do Teatro do Oprimido criada por Augusto Boal. A proposta dessa metodologia é transformar quem assiste em participante ativo da cena, incentivando a reflexão coletiva e a busca por soluções diante de situações de opressão. 

A dinâmica funciona a partir da encenação de um problema social em que o protagonista sofre uma situação de injustiça. Nesse momento, o público deixa de ser apenas espectador e se torna “espect-ator”, podendo interromper a cena, substituir um dos personagens e propor novas formas de enfrentar o conflito apresentado. 

Durante a oficina do Terra Jovens, os participantes foram divididos em dois grupos e cada equipe construiu uma apresentação inspirada em situações observadas ou vividas por eles. Em seguida, o outro grupo pôde intervir nas cenas, propondo alternativas para transformar a realidade apresentada. 

Crédito: Thiago Amorim
Crédito: Thiago Amorim
Crédito: Thiago Amorim

“Devo destacar que o processo de dramatizar histórias criadas por eles, a partir de suas próprias experiências e observações, fez com que esse conhecimento fosse encenado e compartilhado por todos. Partimos não apenas de reflexões teóricas sobre nossa sociedade, mas da vivência da realidade, inserindo o corpo, a voz e a criatividade para representar problemas, dores e possíveis soluções capazes de conscientizar e transformar”, conta Cláudia. 

A participante Jamily da Silva Faria destaca que a oficina ampliou sua compreensão sobre a realidade. “A oficina me ajudou a entender que o racismo ainda existe hoje e que todo mundo pode ajudar a mudar isso. O Teatro Fórum faz a gente pensar mais sobre preconceito, ouvir outras pessoas e procurar soluções juntos. Foi uma forma divertida de aprender.” 

Para Ana Vitória Rocha, a atividade também deixou aprendizados importantes. “Consegui compreender que descolonizar é também mudar formas de pensar e agir, e que o Teatro Fórum é uma ferramenta poderosa para debater e transformar essas questões na prática.” 

Quando a reflexão vira ação 

Ao final da atividade, Cláudia destacou que o envolvimento dos participantes foi um aspecto interessante. “O debate gerado depois das atuações rendeu uma conversa riquíssima, que impressionou pela capacidade de leitura de mundo que estes jovens possuem. Sem contar aqueles que demonstraram um talento nato para o teatro e encantaram a todos durante as apresentações”, finaliza. 

Élida Cristina Silva de Souza, que também participou da oficina, reforça a importância da experiência. “O racismo pode, sim, ser combatido por meio da educação, da conscientização e do respeito. Já a descolonização se mostrou um assunto complexo, revelando que nossa cultura muitas vezes é tratada como inferior a outras. Muitos acabam valorizando mais aquilo que vem de fora, quando a nossa cultura é extremamente rica e merece ser conhecida, ensinada e valorizada.” 

Mais do que apresentar conceitos, a oficina mostrou que o diálogo, a escuta e a expressão artística podem contribuir para formar jovens mais conscientes, críticos e preparados para enfrentar desafios presentes em suas comunidades. Ao transformar experiências em reflexão e ação, o encontro reforçou o compromisso do Terra Jovens em incentivar o protagonismo juvenil e a construção coletiva de uma sociedade mais justa, diversa e acolhedora. 

Saiba mais sobre o Terra Jovens 

Esta foi apenas uma das muitas experiências vividas pelos participantes ao longo desta edição do Terra Jovens. Siga o programa nas redes sociais e acompanhe os próximos encontros e atividades que continuam fortalecendo o protagonismo, a criatividade e a formação dos jovens da bacia do Rio Doce.  

Acompanhe o Terra Jovens.

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