Projeto de coleta de sementes ampliou a biodiversidade e deixou uma estrutura que seguirá impulsionando o trabalho do Instituto Terra na bacia do Rio Doce
Antes que uma muda ajude a recuperar uma nascente ou a reconstruir uma floresta, existe um trabalho silencioso que antecede o plantio: encontrar árvores matrizes, identificar o momento certo da frutificação, percorrer quilômetros em busca de espécies e coletar sementes de qualidade.
Foi justamente para fortalecer essa etapa essencial da restauração ambiental que nasceu o projeto Coletando Sementes para Biodiversidade da Mata Atlântica, realizado pelo Instituto Terra com o suporte do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CAOMA), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Plataforma Semente.
Embora a iniciativa tenha sido concluída no fim de 2025, seu encerramento oficial aconteceu em 30 de junho de 2026, com a entrega do relatório final. Mais do que marcar o término de uma parceria de dois anos, esse momento consolidou um legado que seguirá fortalecendo as ações de restauração da Mata Atlântica por muitos anos.
Muito além da coleta de sementes
Se você acompanha o trabalho do Instituto Terra, provavelmente já ouviu dizer que o viveiro é o coração da organização. Para que ele continue pulsando, porém, existe uma etapa indispensável: a coleta de sementes.
Muito mais do que buscar frutos em fragmentos de florestas, esse trabalho envolve conhecimento técnico, planejamento e cuidado. É por meio dele que são identificadas árvores matrizes — exemplares adultos, saudáveis e geneticamente superiores — capazes de fornecer sementes de alta qualidade para a produção de mudas. Esse processo também contribui para ampliar a diversidade de espécies utilizadas na restauração florestal, tornando os ecossistemas mais resilientes e biodiversos.
Por isso, investir na coleta de sementes significa investir no futuro das florestas.
Resultados que permanecerão
Ao longo de dois anos, o projeto proporcionou avanços significativos para o Instituto Terra, fortalecendo tanto a estrutura quanto a capacidade técnica da instituição.
Um dos principais resultados foi a formação de uma equipe especializada na coleta de sementes. Colaboradores da organização e estudantes do Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica (NERE) participaram de cursos teóricos e práticos em áreas como botânica e arvorismo, sempre com foco na segurança e na qualificação técnica. Esse conhecimento tornou possível identificar novas árvores matrizes, ampliar a diversidade genética disponível para restauração e aperfeiçoar todo o processo de coleta.
A atuação da equipe também ganhou novos horizontes. Hoje, o trabalho alcança um raio de até 200 quilômetros do Instituto Terra, fortalecendo parcerias e contribuindo para conscientizar produtores rurais sobre a importância da conservação e do uso de sementes de espécies nativas.
Os resultados também podem ser medidos em números. Em apenas dois anos, o volume de sementes beneficiadas praticamente triplicou: passou de 330,8 kg, em 2023, para 546 kg em 2024, chegando a mais de 1.090 kg em 2025. No mesmo período, o número de espécies coletadas cresceu de 104 para 135. Além disso, entre o início de 2024 e o fim de 2025, 70 novas espécies passaram a integrar o banco de sementes e a floresta do Instituto Terra.
Mas os impactos da parceria ultrapassaram o trabalho em campo. A iniciativa também possibilitou o desenvolvimento do novo site institucional do Instituto Terra, ampliando o acesso à informação e aproximando ainda mais a organização da sociedade.
Um legado que continua crescendo
O encerramento do projeto não representa o fim desse trabalho. A equipe capacitada, os novos conhecimentos incorporados, o banco de sementes ampliado e as novas árvores matrizes identificadas continuam fazendo parte da rotina do Instituto Terra. Cada nova coleta fortalece a produção de mudas, amplia a biodiversidade das áreas restauradas e cria oportunidades para recuperar novos fragmentos da Mata Atlântica. Porque, no fim das contas, toda floresta restaurada começa com uma semente.
Ajude esse trabalho a continuar
O projeto foi concluído, mas a restauração da Mata Atlântica continua todos os dias. Com a sua doação, o Instituto Terra segue coletando sementes, produzindo mudas, recuperando áreas degradadas e protegendo nascentes.