Conhecido como “o senhor das florestas”, Renato fez da restauração ambiental sua missão de vida
Exatamente um ano após nos despedirmos de Sebastião Salgado, recebemos com tristeza a notícia da partida de Renato Moraes de Jesus, uma pessoa fundamental para a história do Instituto Terra — e da restauração ambiental no Brasil como um todo.
Engenheiro florestal, ambientalista e apaixonado pelo meio ambiente desde a infância, Renato de Jesus foi um desses nomes raros que transformaram vocação em legado. Conhecido como “o senhor das florestas”, dedicou sua vida a algo que, para muitos, parecia impossível: restaurar áreas degradadas e provar que a regeneração da natureza também pode ser uma forma de cultivar esperança.
Muito antes da restauração ambiental ganhar a centralidade que tem hoje, o ambientalista já colocava esse compromisso em prática. Ao longo de sua trajetória, ajudou a recuperar milhares de hectares de Mata Atlântica, plantou milhões de árvores e contribuiu para transformar paisagens marcadas pela degradação em territórios de biodiversidade.
Foi esse conhecimento — técnico, profundo e construído com sensibilidade — que encontrou o sonho de Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado no fim dos anos 1990. Quando decidiram devolver a floresta à Fazenda Bulcão, em Aimorés (MG), Renato tornou-se peça essencial dessa jornada.
Mais do que colaborar com um projeto, ele ajudou a desenhar seus primeiros passos. Como diretor técnico, esteve entre os responsáveis por transformar um sonho em ação concreta: planejou estratégias de restauração, orientou a produção de mudas de espécies nativas e participou diretamente da consolidação do que viria a se tornar o Instituto Terra.
Seu impacto ultrapassou os limites institucionais. Renato ajudou a formar caminhos para a recuperação ambiental em toda a bacia do Rio Doce e deixou contribuições reconhecidas nacional e internacionalmente. Mas talvez seu maior legado esteja justamente naquilo que continua vivo: as árvores que cresceram, os ecossistemas que se regeneraram e as pessoas inspiradas por sua trajetória.
No Museu da Pessoa — museu virtual e colaborativo que conta histórias de vida —, ao narrar sua própria história, Renato compartilhou a paixão que carregava desde menino pela natureza e pelas florestas. Esse sentimento orientou escolhas, construiu projetos e deixou marcas profundas em diferentes territórios — inclusive no nosso.
Hoje, e todos os dias, ao nos despedirmos, celebramos sua vida com gratidão.
Porque algumas pessoas partem, mas permanecem nas paisagens que ajudaram a reconstruir.