Terceira edição do programa de educação ambiental do Instituto Terra inicia sua jornada com um crescimento de 50% no número de participantes e expectativa de alcançar mais de 80 jovens ao longo do ano
Transformar a consciência das novas gerações diante dos desafios socioambientais é um compromisso que exige continuidade, escuta e oportunidades reais de participação. Na bacia do Rio Doce, o Terra Jovens vem se consolidando como um espaço de formação, troca de experiências e protagonismo juvenil.
Criado pelo Instituto Terra em 2024, o programa promove encontros temáticos que abordam assuntos como território, cidadania, agroecologia, juventude, participação comunitária, cultura e identidade, economia criativa e desinformação. A programação inclui ainda oficinas de produção audiovisual com celular, incentivando o uso da tecnologia como ferramenta de criação, expressão e mobilização social.
Em suas primeiras edições, o Terra Jovens impactou diretamente 89 jovens da bacia do Rio Doce, estimulando iniciativas comunitárias, produções audiovisuais e projetos voltados à transformação socioambiental da região. Agora, em sua terceira edição, o programa amplia seu alcance e reforça seu compromisso com a formação de novas lideranças juvenis na região.
Crescimento e público diverso
No dia 25 de abril de 2026, 45 participantes iniciaram sua jornada no Terra Jovens — um crescimento de 50% em relação à primeira edição. Segundo Ozie Gheirart, coordenador do programa, a expectativa é de que esse impacto vá ainda mais longe. “Acreditamos que mais de 80 pessoas tenham contato com as oficinas ao longo do ano. Outro ponto interessante que já conseguimos notar é o aumento da participação de jovens da zona rural, que hoje representam 22% do grupo”, afirma.
Os números evidenciam a capacidade de expansão do programa e seu potencial de impacto na bacia do Rio Doce. Outro diferencial é o compromisso com a inclusão: o Terra Jovens é totalmente gratuito e oferece alimentação, transporte e kit youtuber, reduzindo barreiras que poderiam dificultar a participação dos jovens.
“A cada ano que passa, a turma está cada vez mais inclusiva e diversificada, com indígenas, LGBTQIAPN+, negros, autistas, pessoas em reabilitação social e com deficiência visual. Esse movimento é importante para nós e para os próprios jovens. Queremos incluir diferentes vivências, porque isso amplia o debate, fortalece as trocas e expande perspectivas”, acrescenta Gheirart.
Terra Jovens 3.0 dá seus primeiros passos
A abertura desta edição contou com a participação da produtora rural Flávia Lopes, beneficiária do programa Terra Doce, iniciativa de desenvolvimento rural sustentável do Instituto Terra. Em seu depoimento, Flávia compartilhou como a agrofloresta transformou a realidade de sua família, proporcionando mais qualidade de vida e novas perspectivas.
Para Flávia, a experiência foi inspiradora. “Eu fiquei encantada com o trabalho que o Terra Jovens proporciona para esses jovens. Desejo mesmo que isso cresça e que aqueles que passam pelo programa sejam agentes de transformação para nossa região e para a sociedade, que precisa tanto de algo diferente. Gostei demais e me senti honrada de estar na abertura e ver tudo o que vai acontecer ao longo deste período.”

O encontro também contou com apresentações sobre o Instituto Terra e o próprio Terra Jovens. Encerrando a programação, a ex-vice-presidente de Educação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, arteterapeuta em formação e idealizadora da Casa Restera, Tatiana Filgueiras, conduziu uma reflexão sobre criatividade e construção de identidade, propondo a atividade interativa: “o que poderia melhorar na minha comunidade e no mundo?”.
As atividades práticas também já começaram. No dia 9 de maio, os participantes realizaram a oficina “A natureza que vive em mim”, conduzida por Silvia Paquelet, coordenadora de Expansão em Desenvolvimento Rural Sustentável do Instituto Terra. A imersão propôs reflexões sobre a relação entre ser humano e natureza, destacando a interdependência entre todos os elementos da vida e a importância da preservação ambiental.
“Esse é um assunto muito interessante, porque ajuda os jovens a se entenderem no mundo, sua energia e força, e contribui para o desenvolvimento da tolerância entre eles. Foi gratificante fazer parte disso e ver como se envolveram na proposta”, conta Silvia.


Já no dia 16 de maio, Jovander Pito ministrou as oficinas “Fundamentos técnicos e criativos da linguagem audiovisual”, proporcionando aos jovens um primeiro contato com técnicas de gravação e linguagem audiovisual, incluindo o manuseio de câmeras e o uso de diferentes lentes.

O futuro do programa
De acordo com Gheirart, o Terra Jovens está em constante evolução: “Não queremos nos prender apenas ao conteúdo de um ano, mas fazer com que essa força permaneça e que os jovens usem o programa como um impulso para seguirem transformando suas vidas e seus territórios”.
Em 2026, o Terra Jovens contará com atividades complementares, como oficinas e eventos culturais que incluirão participantes das turmas anteriores. Além disso, o programa articula a realização de conferências para discutir os direitos da juventude e passa a contar com a parceria da Casa Restera, espaço de formação crítica de jovens localizado na Itália. A iniciativa ampliará o percurso formativo do programa com experiências mediadas pela arte, promovendo autoconhecimento e reflexões sobre identidade, cultura, território e pertencimento — temas centrais para a formação juvenil.
“Neste ano já tivemos piquenique, gravação de vídeo, lançamento de podcast e muito mais. São formas de fortalecer o programa, de acolher e consolidar essa potência juvenil que estamos mobilizando”, conclui Gheirart.
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