Levantamento da SOS Mata Atlântica aponta o menor índice de perda florestal em quatro décadas
Na quarta-feira (13/05), a Mata Atlântica — e o mundo — recebeu uma notícia histórica: o desmatamento no bioma caiu 40% em 2025. Este é o menor nível registrado desde 1985, quando o monitoramento foi iniciado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Em um cenário marcado por perdas e retrocessos ambientais, esse dado representa um sinal concreto de que esforços coordenados de proteção podem gerar resultados relevantes.
Um marco histórico
Não é novidade que a Mata Atlântica carrega uma longa história de degradação. Desde os primeiros ciclos de ocupação colonial, o bioma sofreu intensas pressões de exploração, impulsionadas por interesses econômicos e pela expansão territorial.
Apesar de ainda enfrentar ameaças significativas, a redução do desmatamento representa um avanço importante, resultado da atuação conjunta de diferentes organizações, políticas públicas, monitoramento, fiscalização e mecanismos de controle.
Segundo o relatório da SOS Mata Atlântica, a devastação passou de 14.366 hectares em 2024 para 8.668 hectares em 2025 — a primeira vez, em quatro décadas, que o índice ficou abaixo da marca de 10 mil hectares. Mais do que um dado isolado, esse resultado reforça uma tendência consistente de desaceleração observada nos últimos anos — um sinal importante de que os esforços de conservação vêm produzindo efeitos concretos.
Mas essa conquista, por si só, não significa que a missão foi cumprida.
Conservar e restaurar são partes do mesmo caminho
Celebrar essa notícia é importante. Mas ela também nos lembra de algo essencial: conservar o que ainda existe é apenas uma parte da solução. Em um bioma profundamente fragmentado, restaurar áreas degradadas também é indispensável — e é justamente nesse compromisso que o Instituto Terra atua há 28 anos.
As florestas maduras funcionam como grandes reservatórios de biodiversidade, abrigando espécies da fauna e da flora e desempenhando papel essencial no equilíbrio climático e hídrico. Portanto, protegê-las é fundamental.
Ao mesmo tempo, diante da escala de destruição histórica da Mata Atlântica, a regeneração natural, embora importante, nem sempre é suficiente para responder à urgência do cenário. Em muitos casos, ações intencionais de restauração tornam-se essenciais.
Foi com essa convicção que, em 1998, Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado deram início ao Instituto Terra. Em uma paisagem marcada pela degradação, nasceu o compromisso de restaurar a Mata Atlântica na bacia do Rio Doce e mostrar que a regeneração ambiental é possível quando há visão de longo prazo e ação coletiva.
Hoje, a área original da RPPN Fazenda Bulcão, com 709,87 hectares, já foi completamente restaurada, e outras áreas ampliaram esse impacto, totalizando 2.346,96 hectares destinados à restauração direta pelo Instituto Terra. Ao longo dessa trajetória, mais de 3,6 milhões de árvores nativas foram plantadas, contribuindo para o retorno de mais de 235 espécies de animais, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Mas restaurar vai além do plantio de árvores.
Os programas de educação ambiental e desenvolvimento rural sustentável desenvolvidos pelo Instituto Terra também são parte fundamental dessa transformação, promovendo mudança de mentalidade, fortalecimento das comunidades e práticas mais sustentáveis de relação com o território, incluindo recuperação de nascentes, implementação de sistemas produtivos sustentáveis e incentivo à conservação.
Em um bioma onde vivem cerca de sete em cada dez brasileiros, proteger e restaurar a Mata Atlântica não é apenas uma pauta ambiental. É também uma questão de qualidade de vida, segurança hídrica, saúde e futuro.
O futuro ainda precisa de cuidado
A queda histórica do desmatamento na Mata Atlântica mostra que mudanças positivas são possíveis quando conhecimento, políticas públicas, fiscalização e compromisso caminham juntos.
No entanto, proteger o que resta e restaurar o que foi perdido continuam sendo desafios urgentes. A floresta que queremos para o futuro depende das escolhas que fazemos agora.
Ajude a transformar esperança em floresta
Cada muda plantada, cada nascente recuperada e cada área restaurada fazem parte de um esforço contínuo para regenerar a Mata Atlântica e proteger o futuro. Sua doação ajuda o Instituto Terra a seguir restaurando ecossistemas, formando pessoas e promovendo desenvolvimento rural sustentável.