Conheça as soluções adotadas pelo Terra Doce que integram produção rural e regeneração ambiental na bacia do Rio Doce
Durante muito tempo, produzir significou abrir áreas, simplificar o solo e apostar em uma única cultura. No entanto, o agronegócio vem passando por transformações e tem encontrado modelos mais sustentáveis para o trabalho no campo.
Nos últimos anos, os sistemas sustentáveis de produção seguem em crescimento. Segundo dados do Censo Agropecuário, entre 2006 e 2017, o número de estabelecimentos com sistemas agroflorestais (SAFs) cresceu 66,70%. Essas alternativas, além de contribuírem para o aumento da biodiversidade, são grandes aliadas na recuperação de áreas degradadas.
Em outras palavras, hoje existem caminhos que permitem produzir com mais eficiência e cuidado com o meio ambiente. Foi com esse olhar que, em 2023, o Instituto Terra lançou o programa Terra Doce, iniciativa de desenvolvimento rural sustentável com foco em melhorar o uso da terra, fortalecer cadeias produtivas e inspirar novas formas de viver e produzir na bacia do Rio Doce.
Mas, afinal, o que são sistemas sustentáveis de produção?
De modo geral, esses sistemas combinam diferentes espécies vegetais e, em alguns casos, a criação de animais em uma mesma área, utilizando manejos que respeitam os ciclos naturais do ambiente. Nesse modelo, cada elemento exerce uma função importante — seja na produção de biomassa, na regulação do microclima ou na geração de renda —, contribuindo para comunidades mais prósperas e resilientes.
Apesar de os SAFs serem os mais conhecidos, esses sistemas vão além da produção de frutas, legumes e verduras. No Terra Doce, além da agrofloresta, também são trabalhados o sistema silvipastoril e a condução de pasto.
Sistemas agroflorestais: lavoura que parece floresta

Diferentemente da monocultura, que trabalha com apenas uma espécie em uma determinada área, os SAFs integram árvores nativas e culturas agrícolas em um mesmo espaço, promovendo diversidade produtiva.
Entre seus benefícios estão a geração de renda diversificada, a possibilidade de agricultura de subsistência — que contribui para a redução de gastos com alimentação —, além da melhoria do solo e da qualidade da água, já que as plantas atuam em conjunto, formando um sistema semelhante ao de uma floresta.
Em Taparuba, Sérgio Martins tem uma agrofloresta jovem, de cerca de dois anos, desenvolvida em parceria com o time do Terra Doce. Mesmo em pouco tempo, o produtor afirma que o SAF é um sonho que já traz retorno financeiro. Atualmente, ele colhe banana, manga, mandioca, abóbora, maracujá, acerola, aroeira-pimenta e muitas outras espécies.
“Estou aproveitando o terreno, diversificando a produção para melhorar a renda. E ainda dá para plantar muita coisa na área, porque temos espaços com entrada de sol. Há mercado para essa demanda. As frutas que colhemos aqui também já viraram invenções, como banana chip e desidratada, temos polpa de maracujá, goiaba, cajá-manga, manga e muito mais”, diz Sérgio.
Silvipastoril e condução de pasto: um manejo inteligente
O sistema silvipastoril integra árvores, pastagem e criação de animais em uma mesma área, promovendo um uso mais equilibrado da terra.
Nesse modelo, a presença das árvores proporciona sombra e conforto térmico para o gado, o que impacta positivamente o bem-estar animal e a produtividade. Além disso, contribui para a captura de carbono e para a melhoria das condições do solo.

A condução de pasto, por sua vez, foca em manejar a área de forma estratégica, equilibrando o consumo do capim com sua capacidade de recuperação. Nesse sistema, os animais são rotacionados entre diferentes piquetes — divisões menores da área —, permitindo períodos de descanso para a vegetação e o solo. Esse manejo evita a degradação do solo, melhora o controle da erosão e contribui para o ganho de peso do rebanho.
Embora o sistema silvipastoril também envolva o manejo do pasto, no Terra Doce as práticas se diferenciam pela forma de execução. Enquanto o silvipastoril integra árvores e animais no mesmo espaço, a condução de pasto se concentra na organização do uso da área para garantir sua regeneração contínua.
Outro parceiro do Terra Doce, Milton Gonçalves, que tem uma propriedade em Aimorés, afirma que sua experiência com esses sistemas tem sido muito boa. “Fizemos 12 piquetes, que o gado fica circulando, além de incluirmos curva de nível, árvores, cochinhos e duas caixas secas, o que já fez a água aumentar na minha propriedade. Futuramente, vamos desenvolver um SAF focado no café, o que nos trará ainda mais benefícios.”
Terra Doce: transformando a produção rural no território
Esses três modelos são implementados pelo programa Terra Doce com o objetivo de equilibrar restauração ambiental e produção rural, mostrando que o campo pode — e deve — caminhar em sintonia com a floresta.
Além dos retornos financeiros, esses sistemas promovem melhores condições de vida para os produtores e para as futuras gerações, ao contribuir para a segurança hídrica, o enfrentamento das mudanças climáticas e a permanência no campo, fortalecendo a justiça territorial.
Atualmente, mais de 80 unidades de trabalho contam com a assistência técnica do Terra Doce, e esse número segue em expansão. Na primeira semana de abril de 2026, o programa atingiu 2.039 hectares mobilizados no âmbito do Projeto KfW, superando a meta inicial de 2.000 hectares. O resultado evidencia a maturidade da estratégia territorial adotada e reforça a capacidade de articulação com produtores rurais da região.
E essa transformação já está em curso na bacia do Rio Doce. Para acompanhar histórias reais de produtores da região, siga o Terra Doce nas redes sociais.