Depoimentos revelam como o programa do Instituto Terra muda histórias e amplia o protagonismo juvenil
Entre o desejo de transformar o mundo e a chance real de agir, ainda existe um grande vazio para a juventude brasileira. Estudos baseados na Pesquisa Voluntariado no Brasil (IDIS/Datafolha) apontam que, embora cerca de 40% dos jovens manifestem o desejo de se engajar socialmente, apenas 15% encontram oportunidades estruturadas para isso.
É nesse cenário que entra o Terra Jovens, programa de educação ambiental do Instituto Terra que busca estimular o protagonismo juvenil na bacia do Rio Doce, ao reunir pessoas de diferentes contextos e realidades para uma formação cidadã. Um espaço pensado para que as novas gerações reflitam sobre problemas globais e locais e encontrem soluções de impacto positivo.
Às vésperas de iniciar sua terceira edição, participantes de edições anteriores compartilham depoimentos que mostram como a iniciativa pode se tornar um verdadeiro divisor de águas.
Quando surge a oportunidade de transformar
Destinado a adolescentes e jovens adultos de 16 a 29 anos, o Terra Jovens promove oficinas que incentivam o pensamento crítico e ampliam o olhar sobre os desafios socioambientais atuais. Em ciclos anuais, o programa é estruturado em dois blocos principais:
- Terra, Cultura e Consciência, que aborda temas como território, cidadania, agroflorestas, juventude e participação comunitária, cultura e identidade, economia criativa e desinformação;
- Como Contar sua História em Vídeos, que explora o universo da produção de vídeos, podcasts e narrativas visuais usando apenas o celular.
Desde seu lançamento, a iniciativa já impactou 89 pessoas na bacia do Rio Doce. A primeira edição contou com 29 participantes, e a segunda ampliou o alcance para 39 inscritos e 21 ouvintes, evidenciando o crescente interesse de jovens em compreender e exercer seu papel como agentes de transformação.
Histórias que mudam de rumo
As mudanças de quem viveu essa experiência são diversas, indo da transformação pessoal a uma maior consciência do território em que se vive — e, muitas vezes, ao encontro de um senso de pertencimento que antes parecia distante. “O Terra Jovens mudou a minha vida de várias formas. Além de aprender coisas novas, passei a ter mais confiança em mim mesma e mais motivação para correr atrás dos meus objetivos”, afirma Poliana Pereira.
“Durante um período, tive a sensação de estar sozinha em um espaço hostil, onde muitas vezes me senti deslocada e sem referências. Esse cenário gerava inseguranças, dúvidas e a impressão de que meus pensamentos e caminhos não encontravam eco. Mais do que um espaço de formação, o Terra Jovens se tornou um ambiente de acolhimento, escuta e construção coletiva. Foi como encontrar um lugar de pertencimento, onde pude me reconhecer no outro e me fortalecer enquanto indivíduo”, diz Manu Rocha.
Além das transformações individuais, os relatos também revelam uma ampliação do olhar sobre o mundo e sobre o papel que cada jovem pode exercer em sua comunidade.
Para BSH do Rap, o Terra Jovens foi uma das melhores experiências de sua vida ao expandir sua percepção sobre a realidade: “Além de conhecer pessoas diferentes, com pensamentos e gostos diferentes, desenvolvi uma consciência social e ambiental. Percebi que nós jovens, se nos unirmos, podemos mudar a realidade ao nosso redor”.
Já Victoria Pimenta afirma que o programa apareceu em um momento crucial de sua vida: “Eu estava tentando entender meu lugar na minha cidade, no mundo, sem muita noção de identidade ou potencial. Quando comecei a ir aos encontros, novos horizontes se abriram. Fiz amigos, conheci novas culturas, vidas e perspectivas. Também foi o Terra Jovens que me abriu uma oportunidade de emprego, apontando que tudo o que absorvi durante o projeto poderia ser usado para minha carreira. Ele me mostrou caminhos, capacitou e potencializou o que havia dentro de mim, em um ambiente de acolhimento, entendimento e formação técnica.”
Esse conjunto de experiências evidencia o poder da coletividade quando ela é estimulada e encontra espaço para existir — com destaque para o despertar de algo que, muitas vezes, estava adormecido.
“O Terra Jovens reacendeu uma chama que já havia se transformado em pequenas brasas dentro de mim: a vontade de transformar, sobretudo, o território ao qual pertenço. Isso voltou a ganhar força, sentido e direção. Essa experiência me fez compreender que as grandes transformações começam em escalas menores, no cotidiano, nas relações e nas ações concretas que construímos coletivamente. Hoje, essa chama não apenas arde com mais intensidade, mas também se sustenta em bases mais sólidas: no aprendizado compartilhado, na troca de saberes e na certeza de que não estou só nesse caminho”, finaliza Poliana.
Mais do que experiências individuais, os relatos revelam mudanças profundas — seja na personalidade, na vida profissional ou no senso de coletividade entre pessoas de diferentes crenças, culturas, etnias, raças e gêneros.
O desejo de ser protagonista da própria história e agente de mudança no território, no Brasil e no mundo fica evidente quando os jovens encontram oportunidades reais e acesso a uma formação de qualidade, que contribuem para que o senso crítico e os encontros floresçam.
Um convite para a transformação
Agora, o Terra Jovens segue seu caminho para impactar ainda mais vidas. Assim como mostram os relatos, a experiência vai além da formação: ela abre caminhos, fortalece vozes e transforma a forma como cada um se enxerga. As próximas histórias de transformação ainda estão por começar — e podem incluir a sua.
Com inscrições abertas até o dia 10 de abril, o programa convida jovens da bacia do Rio Doce a darem o primeiro passo nessa jornada. Acesse o link e inscreva-se.