Essenciais para a biodiversidade, o clima e a sustentabilidade, essas espécies sustentam o equilíbrio dos ecossistemas
É comum ouvir que é essencial plantar espécies nativas do bioma, seja em projetos de restauração ou até mesmo na arborização urbana. Mas você já se perguntou por quê?
Fundamentais para o equilíbrio ecológico, as plantas nativas desempenham um papel central na manutenção da biodiversidade, do clima e da sustentabilidade. Na Mata Atlântica, bioma que hoje conserva apenas cerca de 12% de sua cobertura original, essas espécies tornam-se ainda mais importantes para sua preservação e recuperação.
O que a história revela
A fauna e a flora da Mata Atlântica enfrentam pressões desde os primeiros momentos da colonização do Brasil. No século XVI, a chegada dos portugueses deu início a um ciclo intenso de exploração da cobertura florestal, impulsionado pelo interesse em espécies de alto valor comercial na Europa, como o pau-brasil (Paubrasilia echinata). Esse movimento marcou o início de uma transformação profunda na paisagem do bioma.
Com o passar do tempo, a industrialização, o crescimento das cidades e a ampliação das atividades produtivas no campo intensificaram o desmatamento, reduzindo de forma significativa a biodiversidade e a cobertura vegetal do bioma.
Além disso, espécies exóticas, como o eucalipto e o pinus, foram introduzidas no Brasil e, em alguns contextos, podem competir com espécies nativas por recursos, impactando o equilíbrio ambiental quando não manejadas de forma adequada. Em paralelo, práticas de exploração ilegal agravaram ainda mais a pressão sobre o ecossistema.
O alicerce dos biomas
Diante desse cenário, muitas espécies entraram em extinção ou tiveram suas populações drasticamente reduzidas, o que torna iniciativas de restauração, como o Refloresta do Instituto Terra, fundamentais para a recuperação dos ecossistemas e a garantia da sobrevivência das árvores nativas. E diversos fatores explicam essa importância.
Ao longo do tempo, as plantas nativas adaptaram-se às condições específicas de cada região, desenvolvendo resistência às variações climáticas e às características do solo. Por isso, em áreas degradadas, árvores como embaúba e aroeira, por exemplo, contribuem para restabelecer o equilíbrio ecológico e preparar o ambiente para o retorno de outras espécies.
Além disso, as mudas nativas contribuem para a conservação da qualidade do ar e do solo, podendo favorecer a absorção de dióxido de carbono (CO₂) e auxiliar na regulação da temperatura local. Também criam microclimas que estimulam a regeneração da vegetação e influenciam o ciclo da água por meio da evapotranspiração e da retenção de água no solo.
Nesse contexto, as raízes das árvores nativas desempenham um papel importante na redução da erosão e do assoreamento de rios e nascentes, enquanto suas copas amortecem o impacto da chuva, protegendo o solo e favorecendo a infiltração da água.
Por fim, todos esses processos contribuem para a sustentação da biodiversidade, criando habitats que servem de abrigo e alimento para a fauna — que, por sua vez, atua como aliada na dispersão de sementes e na regeneração dos ecossistemas.
Visão de longo prazo para transformar
Muito mais do que compor a paisagem, as espécies nativas são a base da restauração, da preservação da biodiversidade, da regulação do clima e da proteção dos recursos naturais. Por isso, protegê-las e incorporá-las em projetos de restauração é essencial para garantir resultados consistentes e duradouros.
No Instituto Terra, cada muda é cuidadosamente selecionada para contribuir com a recuperação da Mata Atlântica, buscando aproximá-la de sua condição original: rica e diversa, tanto em relação à flora quanto à fauna. Nos seus quase 30 anos de existência, o programa Refloresta tem promovido a regeneração de áreas degradadas e contribuído para a transformação da bacia do Rio Doce.
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