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Abelhas, agrofloresta e protagonismo feminino 

Trabalho de formandos do NERE 2025 propõe implantação de meliponários em SAFs como estratégia de sustentabilidade e valorização das mulheres no campo 

Como integrar restauração ambiental, geração de renda e justiça social no meio rural? Esse foi o questionamento que orientou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) desenvolvido por Alice Sofia Souza Almeida, Ana Beatriz Biernaschi, Cleiton Bassouto de Souza e Gabriela Ferreira Vieira, formandos do Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica (NERE), do Instituto Terra. 

Intitulado “Assistência técnica do NERE: plano para a implantação de meliponários nos SAFs, promovendo a valorização das mulheres no campo”, o projeto propõe a criação de um plano de ação voltado à inserção de meliponários de abelhas nativas sem ferrão em Sistemas Agroflorestais (SAFs) conduzidos por mulheres camponesas atendidas pelo programa Terra Doce. 

A proposta parte do entendimento de que a restauração ambiental só se consolida quando caminha junto com o fortalecimento social das comunidades. Nesse sentido, o trabalho articula a assistência técnica do NERE, os princípios da agroecologia e a meliponicultura como prática sustentável capaz de ampliar a polinização, fortalecer a biodiversidade, diversificar a produção e gerar renda complementar. 

De maneira mais específica, o estudo buscou: 

  1. Elaborar um plano de projeto para o fornecimento de assistência técnica na implantação de meliponários, visando à valorização das mulheres do campo; 
  1. Compreender o papel das mulheres do campo na construção de práticas sustentáveis em suas comunidades; 
  1. Avaliar os impactos sociais, ambientais e econômicos da implantação dos meliponários em SAFs; 
  1. Identificar os desafios enfrentados pelas mulheres do campo; 
  1. Selecionar uma espécie de abelha nativa sem ferrão adaptada ao ecossistema local para inserção nos sistemas agroflorestais; 
  1. Propor a criação de um setor especializado em meliponicultura dentro da assistência técnica do NERE. 

Para alcançar esses objetivos, o grupo adotou uma metodologia de caráter descritivo e exploratório, combinando levantamento bibliográfico, análise de documentos técnicos, entrevista com especialistas e estudos de casos de iniciativas semelhantes implementadas no Brasil. Esse percurso metodológico permitiu avaliar a viabilidade da proposta e reforçar sua pertinência social, ambiental e econômica. 

O estudo destaca a meliponicultura como uma prática sustentável de grande potencial quando integrada aos Sistemas Agroflorestais. As abelhas nativas sem ferrão, especialmente a Jataí (Tetragonisca angustula), exercem papel fundamental na polinização, contribuindo para o aumento da produtividade agrícola, a conservação da biodiversidade e a regeneração dos ecossistemas. 

Crédito: Ana Beatriz Biernaschi
Crédito: Cleiton Bassouto de Souza
Crédito: Cleiton Bassouto de Souza

Além dos benefícios ambientais, o trabalho evidencia o potencial econômico da atividade, uma vez que o mel da Jataí possui alto valor agregado no mercado e reconhecidas propriedades medicinais. A produção pode representar uma importante fonte de renda complementar para as famílias rurais, fortalecendo a economia local e os circuitos curtos de comercialização. 

No eixo social, o TCC reforça o papel histórico das mulheres na condução dos quintais agroflorestais e das práticas agroecológicas. Ao propor a implantação de meliponários conduzidos por mulheres, com acompanhamento técnico contínuo do NERE, o projeto contribui para ampliar a visibilidade, a autonomia produtiva e a organização coletiva dessas agricultoras. 

O projeto apresenta um plano detalhado de implantação dos meliponários, contemplando etapas como capacitação, escolha do local, aquisição e manejo das colônias, regularização junto aos órgãos competentes, além de um orçamento estimado e um cronograma de visitas técnicas. 

A assistência do NERE aparece como elemento central para o sucesso da proposta, garantindo acompanhamento contínuo, troca de saberes e apoio especializado às mulheres participantes ao longo de todo o processo. 

Ao articular educação ambiental, agroecologia e justiça social, o TCC desenvolvido pelo grupo se consolida como mais do que um exercício acadêmico. Ele se apresenta como uma proposta concreta para o fortalecimento do programa Terra Doce e para a ampliação de estratégias de restauração que colocam as pessoas no centro do cuidado com o meio ambiente. 

O trabalho reafirma que recuperar ecossistemas é também promover inclusão, reconhecimento e autonomia, demonstrando que a regeneração ambiental e a transformação social caminham juntas. 

Leia o estudo na íntegra!  

Acesse o TCC completo e conheça todas as etapas propostas por Alice Sofia Souza Almeida, Ana Beatriz Biernaschi, Cleiton Bassouto de Souza e Gabriela Ferreira Vieira, que apontam caminhos concretos para uma restauração ecossistêmica mais justa, diversa e sustentável. 

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