Trabalho de formandos do NERE 2025 analisa a estrutura interna do Instituto Terra e propõe adaptação em prol da inclusão social de Pessoas com Deficiência (PCDs)
Recuperar a floresta sempre foi, para o Instituto Terra, um compromisso com a vida. Mas um grupo de formandos do Núcleo de Estudos em Restauração Ecossistêmica (NERE) 2025 ampliou essa compreensão ao propor algo essencial: como garantir que todas as pessoas, sem exceção, possam viver e aprender com a natureza?
Desenvolvido por Evellyn Eduarda Nitz Butzke, Gabriel de Jesus de Selis, Matheus de Sousa Silva e Tiago Nogueira Janes, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) “Plano de adaptação da estrutura interna do Instituto Terra visando a inclusão social de diferentes tipos de PCDs” parte da ideia de que sustentabilidade ambiental e inclusão social são indissociáveis. Cuidar da terra, defendem os autores, também significa cuidar de quem a percorre, a sente e aprende com ela.
O objetivo geral do estudo foi investigar as condições atuais da estrutura interna do Instituto Terra e desenvolver propostas de adaptação que favoreçam a inclusão social de diferentes perfis de Pessoas com Deficiência (PCDs), promovendo um ambiente acessível, acolhedor e inclusivo. De forma mais específica, o trabalho buscou:
- Identificar barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais ainda existentes na instituição;
- Propor adaptações em trilhas e espaços educativos;
- Sugerir ações formativas para colaboradores e educadores;
- Ampliar as possibilidades de vivência sensorial e educativa no território.
Para alcançar esses objetivos, os formandos realizaram uma pesquisa qualitativa e exploratória, que envolveu observação direta das instalações, trilhas e espaços educativos do Instituto Terra, entrevistas semiestruturadas com colaboradores, educadores ambientais e gestores da instituição, além de análise documental. Esse percurso metodológico permitiu a construção de um diagnóstico detalhado sobre os desafios e as oportunidades para tornar os espaços da ONG mais acessíveis e acolhedores.


Fotos das instalações e trilhas internas do Instituto Terra, registradas por integrantes do grupo.
Com o levantamento completo, o grupo propôs soluções que vão muito além do cumprimento de normas técnicas. A proposta envolveu transformar trilhas, áreas educativas e espaços de convivência em verdadeiros territórios de acolhimento, onde pessoas com deficiência visual, física, auditiva e neurodivergente possam vivenciar a natureza de forma segura, autônoma e significativa.
Entre as principais soluções apresentadas está a adaptação das trilhas Institucional e do Quati, com pisos acessíveis, rampas suaves, áreas de descanso, sinalização tátil, recursos de audiodescrição, conteúdos em Libras e mapas sensoriais. Dessa forma, esses espaços deixariam de ser apenas percursos interpretativos e passariam a ser pensados como experiências multissensoriais, capazes de envolver diferentes formas de percepção do mundo.
Outro destaque do trabalho é a proposta de desenvolver uma trilha e um jardim sensorial, aproveitando áreas já existentes do Instituto Terra. Nesse espaço, o contato com plantas aromáticas, texturas variadas, sons naturais e elementos táteis ampliaria o acesso à educação ambiental, permitindo que o aprendizado aconteça pelo corpo inteiro, do toque ao olfato, da escuta à memória.
O plano inclui ainda a criação de uma sala interativa virtual, que utilizaria recursos tecnológicos e princípios de acessibilidade digital para permitir que pessoas com mobilidade reduzida ou outras limitações possam conhecer trilhas, paisagens e processos de restauração de forma imersiva. A tecnologia, nesse contexto, surge como uma aliada da inclusão, e não como substituta da experiência com o meio ambiente.
Mais do que propor obras ou equipamentos — e realizar um levantamento de custos para viabilizá-los —, o estudo enfatiza a importância da formação continuada das equipes do Instituto Terra, da escuta ativa das pessoas com deficiência e da construção de uma cultura institucional verdadeiramente inclusiva. A acessibilidade, afirmam os autores, não se encerra na infraestrutura: ela se realiza no encontro, na atitude e no cuidado cotidiano.
Ao articular educação ambiental, desenho universal e responsabilidade social, o TCC aponta caminhos concretos para que o Instituto Terra siga sendo referência não apenas na restauração ecossistêmica, mas também na construção de um futuro mais justo, empático e acessível.
Leia o estudo na íntegra!
Acesse o TCC completo, confira a análise detalhada e conheça todas as propostas elaboradas por Evellyn Eduarda Nitz Butzke, Gabriel de Jesus de Selis, Matheus de Sousa Silva e Tiago Nogueira Janes para tornar a restauração ambiental também um caminho de inclusão.