Estrada de ferro que conecta Vitória (ES) a Belo Horizonte (MG) conduz a histórias, territórios e futuros possíveis — e tem como um de seus destinos mais simbólicos a ONG fundada por Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Salgado
Você sabia que existe uma linha de trem que liga a capital do Espírito Santo à capital de Minas Gerais?
Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG) estão conectadas por uma ferrovia que opera desde 1907 e percorre 664 km. Segundo o Ministério do Turismo, mais de um milhão de passageiros utilizam esse trajeto todos os anos. Ao longo do caminho, o percurso, que conta com 30 pontos de embarque e desembarque, revela paisagens marcadas por rios, serras, áreas urbanas e fragmentos de Mata Atlântica.
Entre esses destinos, está Aimorés (MG) — cidade natal do fotógrafo Sebastião Salgado e onde se localiza a sede do Instituto Terra. Mais do que uma parada, o local representa um ponto de chegada para quem deseja conhecer, de perto, uma das mais relevantes iniciativas de restauração ecossistêmica do país.
Como chegar de trem ao Instituto Terra
A viagem pode começar tanto em Belo Horizonte quanto na estação Pedro Nolasco, em Vitória. Durante o trajeto, que ao todo dura quase 14 horas, é possível acompanhar pela janela a transformação da paisagem e dos territórios, em um percurso que conecta passado, presente e futuro.
Ao desembarcar em Aimorés, a experiência continua. A sede do Instituto Terra fica a apenas 2,5 km da estação ferroviária — uma distância curta, que pode ser percorrida a pé, permitindo ao visitante conhecer um pouco das ruas, das praças e do cotidiano da cidade.
Aos poucos, a floresta começa a se revelar. Ao avistar o Instituto Terra, já é possível perceber o contraste entre a área restaurada e o entorno, um convite silencioso à contemplação e à reflexão. A visita pode ser guiada — ideal para grupos, escolas e quem busca uma imersão mais aprofundada — ou realizada de forma autônoma, para quem prefere explorar o espaço no próprio ritmo.

Outras paradas possíveis ao longo do caminho
Ao longo da ferrovia, diversas cidades enriquecem a viagem e oferecem experiências culturais, históricas e naturais. Entre algumas paradas possíveis estão:
- Aimorés (MG): além do Instituto Terra, abriga o Museu Histórico, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo e a Igrejinha São Sebastião.
- Catas Altas (MG): conhecida nacionalmente pelo vinho de jabuticaba, reúne atrativos como o Santuário do Caraça, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e trilhas com cachoeiras e mirantes.
- Santa Bárbara (MG): destaca-se por cachoeiras, igrejas coloniais, casarões antigos e pelo Parque Nacional da Serra do Gandarela.
- Governador Valadares (MG): tem como cartão-postal o Pico da Ibituruna, além da Ilha dos Araújos, do Parque Natural Municipal e do Museu da Cidade.
- Resplendor (MG): destino de ecoturismo – onde fica o Parque Estadual Sete Salões –, oferece trilhas, grutas e passeios de barco pelo Rio Doce, com destaque para o pôr do sol.
Ao longo do trajeto, há muitos outros destinos que enriquecem a experiência de quem viaja de trem entre Minas Gerais e Espírito Santo. As próprias capitais, Vitória e Belo Horizonte, concentram uma ampla variedade de atrações culturais, gastronômicas e históricas para quem deseja ampliar a experiência da viagem.
Ainda assim, para quem busca um encontro profundo com a natureza e com a ideia de regeneração, Aimorés guarda um destino especial. No Instituto Terra, o percurso ganha sentido: ali, a restauração da Mata Atlântica mostra que é possível transformar paisagens, cuidar do meio ambiente e reconstruir futuros.
Saiba mais sobre como visitar o Instituto Terra, o que esperar dessa experiência, como adquirir seu ingresso e planejar sua visita pelo link. Aqui, o trem conduz a viagem — mas é a natureza que recebe, transforma e permanece.