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Aimorés, MG - Brasil | 12/12/2018 - Bom dia!  
   

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NOVA COMISSÃO
É possível reconstruir o que os humanos destruíram
Autor: Comunicação - 19/11/2015

 

O desastre ambiental no Rio Doce decretou a morte ecológica de um rio federal com mais de 800 km e atingiu a vida de toda a população à sua volta, envolvendo conseqüências imediatas e prejuízos em longo prazo.

O Instituto Terra, que iniciou suas atividades refazendo a natureza de um vale profundamente degradado, vem dedicando toda a sua trajetória na revitalização da bacia do Rio Doce. Ao longo dos últimos 17 anos reuniu conhecimento técnico suficiente para entender que qualquer ação humana para recuperar a região precisaria ser coordenada e conectada a um projeto consistente de resgate e proteção das mais de 370 mil nascentes do Rio Doce, somado ao reflorestamento de áreas prioritárias como matas ciliares, áreas de proteção permanente e de Reserva Legal, com o objetivo de restabelecer água, restaurar algumas funções ecológicas do solo e contribuir para a melhoria do clima.

Este projeto, que já se constituía em uma iniciativa de grande alcance, agora se tornou emergencial, diante das conseqüências da catástrofe ambiental que atinge proporções alarmantes. Além das vidas ceifadas, do problema do abastecimento de água imediato da população e dos animais, bem como das providências para a reestruturação social e econômica da região, é preciso acelerar as medidas compensatórias para evitar que os danos se multipliquem, além do que já se mostra inevitável.

As ações somadas precisam envolver todos os aspectos da questão, como meio ambiente, saúde, trabalho e renda para várias categorias profissionais em atuação em um Vale que abriga mais de 4 milhões de pessoas.

Para reimplantar a vida no Rio Doce será preciso muito empenho, compartilhamento de tecnologias, e de recursos, tendo em vista a alta complexidade envolvida.

Com a proposta de criação de um fundo de volume financeiro significativo para custear todas essas ações compensatórias, o Instituto Terra espera uma grande união no sentido de permitir esse resgate, envolvendo o Governo federal, governos estaduais e municipais, Ministérios Públicos Estaduais e o Federal, e também Universidades, Centros de Pesquisa, ONGs, sociedade e iniciativa privada.

A lama densa ocupa o leito do rio, e vai se sedimentando e esterilizando a vida ecológica do Doce. O ecossistema vai ser todo alterado, com reflexos ainda desconhecidos na qualidade e quantidade da diversidade aquática que possa sobreviver. Do ponto de vista ambiental, muitas perdas são irreparáveis ao longo de todo o trajeto do rio até a sua foz, onde deve afetar inclusive a vida marinha hoje presente.

Mas o problema da água terá outras vertentes, comprometendo a qualidade de vida na área da bacia. Além da poluição lançada pelas indústrias e pelas outras atividades produtivas, a questão do saneamento, uma dívida histórica dos governos da região, deverá ser imediatamente atacada para evitar a proliferação em alto grau de bactérias junto a essa mistura de água e rejeitos. Sem a atuação da vida ecológica do rio isto certamente vai transformar o que foi ontem um rio vivo em um grande caudal de bactérias, com sérios riscos para a saúde da população, contaminando o solo e os produtos agrícolas produzidos na região.

O restabelecimento das matas ciliares, dos topos de morro, das áreas de proteção permanente e de reserva legal, uma exigência da legislação brasileira, se constitui em ação urgente como solução inicial ao resgate da biodiversidade e à diminuição da erosão. Essa cobertura florestal pode se constituir num filtro natural ao carreamento de detritos e rejeitos pelas águas da chuva até os corpos d'água que se dirigem à calha principal do rio.

O Rio Doce conta com um verdadeiro sistema de água, constituído por seus afluentes e os afluentes de seus afluentes. Somente a recuperação e a proteção de todas as nascentes podem ajudar a aumentar a produção de água de maneira suficiente para aumentar o volume na calha principal e assim permitir um repovoamento futuro, mesmo que parcial, da fauna e da flora. A restauração ecossistêmica das florestas igualmente contribuirá para a recuperação de funções ecológicas fundamentais ao Rio Doce.

Com conhecimento e tecnologias adaptadas à bacia do Doce, o Instituto Terra entende que pode ajudar a acelerar esse processo de reconstrução. O projeto piloto de recuperação das nascentes já foi testado, foi aprovado pela Agência Nacional das Águas (ANA) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, contando com o reconhecimento da ONU-Água.

A criação de um fundo financeiro nos moldes que o Instituto Terra está propondo deverá ser nas proporções necessárias para absorver todos os investimentos e as ações destinadas a garantir a continuidade da vida no Vale do Rio Doce, gerando recursos contínuos para projetos ambientais, sociais, econômicos e de geração de emprego e renda em toda a região.

"Nossa proposta é a de criação de um fundo significativo, mas dedicado exclusivamente aos projetos para recuperação ambiental da área da bacia do Doce. Será preciso um controle efetivo para evitar qualquer desvio de sua função ou o emprego em projetos que não correspondam às necessidades de reabilitação do Vale do Rio Doce. Precisamos a todo custo evitar a tentação de utilização desses recursos em programas ou ações que já eram devidos à população anteriormente a essa catástrofe, desvirtuando-o de sua proposta inicial. Precisamos evitar o varejo desse fundo. É essencial que ele seja aplicado, exclusivamente, na reconstrução desse vale destruído, afinal, trata-se mais de questão de interesse social e coletivo, do que de políticas de governos", afirma Sebastião Salgado, cofundador e vice-presidente do Instituto Terra, ressaltando a necessidade de que o Governo federal inicie de forma ágil a negociação com as empresas responsáveis pelo desastre, para que os valores possam ser depositados em uma entidade bancária responsável nos moldes já existentes do fundo especial para a Amazônia, sob custódia do BNDES.

A tragédia faz retornar no tempo e relembrar o início do Instituto Terra, só que frente a um problema ambiental amplificado e a uma urgência sem precedentes. A maior diferença é que hoje a instituição conhece profundamente a região, as condições ambientais e a tecnologia para a recuperação ecossistêmica, além da vontade enorme de conseguir realizar.

Instituto Terra

 

 
 


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