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Aimorés, MG - Brasil | 12/12/2018 - Bom dia!  
   

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PREMIOS
Instituto Terra é um dos vencedores do Prêmio Furnas Ouro Azul.
Autor: Imprensa - 12/12/2008

 

Instituto Terra é um dos vencedores do Prêmio Furnas Ouro Azul

Premiado na categoria comunidade, Instituto Terra conquistou o segundo lugar com estudo que comprova que o restabelecimento da cobertura vegetal na RPPN Fazenda Bulcão permitiu aumentar quantidade e qualidade da água nos córregos da fazenda.

Mais do que garantir a biodiversidade em termos de fauna e flora, a recuperação da Mata Atlântica pode ajudar a aumentar a quantidade e qualidade da água das nascentes, córregos e rios estabelecidos em regiões com esse tipo de cobertura vegetal. É o que pode ser comprovado a partir de estudo de monitoramento da água feito pelo Instituto Terra na Fazenda Bulcão, sede da organização não-governamental baseada no município de Aimorés, em Minas Gerais.

Com base nesse estudo, aliado ao projeto de recuperação ambiental efetivado na RPPN Fazenda Bulcão, o Instituto Terra foi um dos vencedores da sétima edição do Prêmio Furnas Ouro Azul, conquistando o segundo lugar na categoria Comunidade. A premiação, uma iniciativa da empresa Furnas em parceria com os jornais Estado de Minas, Correio Braziliense (DF) e Jornal do Comércio (RJ), tem como proposta incentivar e divulgar ações de recuperação e conservação de recursos hídricos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Para entender a relevância da pesquisa sobre recuperação de nascentes na RPPN Fazenda Bulcão é preciso conhecer um pouco mais a história do Instituto Terra, fundado em abril de 1998, pelo casal Lélia Wanick e Sebastião Salgado, a partir da necessidade de decidir o destino da fazenda, propriedade familiar do casal.

Como em tantas outras propriedades do Vale do Rio Doce, onde predominam as fazendas de pequeno porte, baseadas no trabalho familiar e dedicadas à criação extensiva de gado, também ali o solo e a água estavam exauridos, resultado de um século de exploração extrativista e desmatamento.

Da área total da Fazenda, 709,84 hectares, 608,69 foram transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e se encontram em processo de reflorestamento com espécies nativas de Mata Atlântica. O estudo realizado teve justamente como objetivo avaliar a influência dessa cobertura vegetal recuperada sobre as condições hídricas da RPPN.

O estudo, coordenado pelo gerente Ambiental do Instituto Terra, Jaeder Lopes Vieira, e o engenheiro florestal Paulo Henrique de Souza, responsável pelo viveiro de mudas de espécies nativas de Mata Atlântica do Instituto, adotou como metodologia de trabalho a medição das vazões de água em dez pontos diferentes, distribuídos nas bacias do córrego Bulcão e Constância, que nascem na Fazenda Bulcão. Além da vazão, foi verificada a qualidade física, química e biológica da água na fazenda.

As medições de água foram realizadas entre 2006 e 2007, ou seja, sete e oito anos, respectivamente, após o início do processo de reflorestamento na fazenda. E as conclusões desse monitoramento são um verdadeiro estímulo a outros projetos de recuperação ambiental na região.

O restabelecimento da cobertura vegetal na RPPN teve influência direta e positiva sobre a qualidade, quantidade e disponibilidade de suas águas. Em relação à qualidade, vale ressaltar que houve uma melhora significativa, tendo em vista que das oito nascentes estudadas, cinco já não apresentam presença de coliformes fecais. Mesmo assim, observa-se que, sem nenhum tratamento, a qualidade da água dos córregos da Fazenda ainda não se enquadra nos padrões de potabilidade, embora dela possam ser feitos vários outros usos.

INFLUÊNCIA DA COBERTURA VEGETAL ATLÂNTICA SOBRE AS CONDIÇÕES HÍDRICAS DA RPPN-FAZENDA BULCÃO EM AIMORÉS

SOUZA, P.H.1, VIEIRA, J.L.1

RESUMO
Esse trabalho foi realizado na RPPN-Fazenda Bulcão em Aimorés-MG e teve como objetivo avaliar a influência da cobertura vegetal recuperada sobre as condições hídricas do local. Na RPPN-Fazenda Bulcão a cobertura vegetal original é a Mata Atlântica, que devido a atividades antrópicas do passado foi praticamente toda suprimida. A metodologia de trabalho foi realizada através da medição das vazões em dez pontos diferentes, distribuídos nas bacias do córrego Bulcão e Constância.

Para se avaliar o comportamento da vazão ao longo do dia foram realizadas medições da vazão três vezes/dia e em horários pré-definidos. O ponto de medição estudado fica localizado no córrego Bulcão, na ponte que dá acesso ao viveiro de produção de mudas nativas. Essa etapa do trabalho foi realizado em duas bateladas. Uma entre os dias 29 de agosto e 01 de setembro de 2007 e a outra entre os dias 26 de setembro e 28 de setembro de 2007. Foi ainda avaliada a qualidade física, química e biológica das águas.

Também serviram como base de análise os dados fornecidos pela estação meteorológica automática da cidade de Aimorés, disponíveis do site do Instituto Nacional de Meteorologia. As vazões obtidas no ano de 2006 e 2007 não variam acentuadamente, com exceção para a barragem nova onde a vazão foi mais de cinco vezes menor no ano de 2007 em comparação com o ano anterior.

A nascente do bambu, afluente do córrego Constância, em 2006 e 2007, de todos os pontos estudados, foi a que apresentou menor vazão. A vazão de todas as nascentes teve um comportamento mais ou menos linear, com pequena variação dos valores ao longo do período de medição. A nascente do córrego Constância manteve a vazão constante durante todo período de levantamento dos dados. Já para o ponto de coleta na ponte que dá acesso ao viveiro no córrego Bulcão, os dados apresentaram uma oscilação considerável, variando de 4200 L/h até 3000 L/h.

Esse comportamento teve relação inversa com as vazões medidas na barragem nova, nascentes do viveiro, do curral, sapucaiú e cajazinho, todos afluentes diretos do córrego Bulcão à montante deste ponto. A vazão medida em cada tempo teve uma redução crescente dentro de cada batelada, com os maiores valores ocorrendo na primeira medição (7:15 h) e o menor valor na terceira medição (17:15 h). A nascente do curral foi a única que apresentou presença de coliformes fecais termo tolerantes.

Os resultados e observações obtidos neste trabalho permitiram concluir que:

  • a cobertura vegetal existente na RPPN tem influência direta e positiva sobre a qualidade, quantidade e disponibilidade de suas águas;
  • houve uma melhora significativa na qualidade das águas da RPPN entre os anos de 2006 e 2007, tendo em vista que das oito nascentes estudadas, cindo não apresentaram presença de coliformes fecais em suas águas;
  • a quantidade de água disponível no córrego Bulcão foi maior nas primeiras horas da manhã decrescendo para o final do dia em função da evapotranspiração e da evaporação direta da lâmina d’água;
  • a qualidade da água dos córregos Bulcão e Constância, sem nenhum tratamento, não se enquadra nos padrões de potabilidade, entretanto, dela podem ser feitos vários outros usos.

 

 
 


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